E quando uma mentira surge de um simples comentário e acaba se espalhando como verdade, a ponto de virar folclore? Londrina tem uma destas estórias e até hoje, ninguém sabe afirmar se é verdadeira ou não. O protagonista nega veementemente. Aos 81 anos, o advogado Carlos Antônio Franchello, se diverte ao relembrar de um fato que até hoje está na boca do povo, pelo menos entre os mais velhos, apaixonados por futebol e que acompanharam a trajetória do Londrina Esporte Clube (LEC).
Franchello que foi vice-prefeito e já representou várias entidades em Londrina, conta que o fato aconteceu em 1985 quando ele era presidente do LEC. ''Na época o time andava 'desgastado'. Precisávamos renovar a equipe porque os jogadores foram dispensados''.
Uma viagem até Presidente Prudente, traria um ônibus cheio de bons jogadores, integrantes da Prudentina, além de dois reforços, um de Montes Claros (MG) e São José do Rio Preto (SP). Para comprar bons jogadores, praticamente um time inteiro, era preciso dinheiro e como todo bom negócio, de garantias também.
Para avalizar o contrato, nada melhor do que um grande fazendeiro das terras férteis do Norte do Paraná, cheio de posses, que garantiria o pagamento das promissórias, estimadas em valores atuais em cerca de R$ 300 mil. ''Era um investimento alto e precisava dar certo'', lembra Franchello.
O tal fazendeiro avalista foi nada mais nada menos que o saudoso Murilo Zamboni, radialista conhecido na cidade. De fazendeiro, Murilo Zamboni não tinha nada. Era apenas um apaixonado por futebol. ''O Zamboni gostava muito de futebol e foi comigo buscar os jogadores. Daí surgiu a conversa de que ele teria avalizado as promissórias, se passando por um grande fazendeiro de Londrina, mas isso foi uma estória que inventaram'', conta Franchello, confirmando que todas as promissórias foram pagas. ''Time de futebol demora, mas paga tudo direitinho''.
Pressionado para falar a verdade se Zamboni não se passou mesmo por fazendeiro durante a negociação, Franchello afirma categoricamente que não, apesar de esboçar um leve sorriso. ''Isso é comentário maldoso do povo, que gosta de inventar estórias. O mais importante é que os jogadores levantaram o Londrina e deram muitas alegrias à cidade'', comenta Franchello, em tom nostálgico, mas deixando a reportagem ainda na dúvida.(M.O)

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