Fazendeiro se une para enfrentar MST
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quinta-feira, 26 de junho de 1997
Ponta Grossa 
Celso MargrafMangrichi: A qualquer momento podemos ocupar áreas nos municípios
de Piraí do Sul, Castro, Ponta Grossa, Palmeira e Teixeira SoaresA Sociedade Rural dos Campos Gerais (SRCG) realiza amanhã, em Ponta Grossa, o Movimento em Defesa da Terra, para fazer frente as ameaças de invasões dos sem-terra em propriedades da região. Manoel Henrique Pereira Júnior, integrante da diretoria da SRCG, disse que os proprietários rurais querem mostrar aos sem-terra que estão atentos e não vão deixar acontecer nenhuma invasão nos Campos Gerais.
O movimento deve reunir mais de 300 pessoas entre agricultores, pecuaristas, deputados da bancada ruralista e lideranças agropecuárias de todo o Estado. Manoel Henrique diz que a SRCG quer se organizar para defender as propriedades.
Há uma semana fazendeiros e integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) vêm passando por momentos de tensão na região de Ponta Grossa. Enquanto o MST intensifica a ação do movimento nos Campos Gerais, ameaçando ocupações de áreas em toda a região, os fazendeiros comeaçam a se organizar, montar barreiras nas estradas e colocar segurança nas fazendas.
A preocupação dos fazendeiros da região teve início na semana passada, quando um grupo de sem-terra acampou em uma área na região do Kalinoski, 14 km de Ponta Grossa. Os fazendeiros estão temendo invasões de outras propriedades e querem que os sem-terra deixem a região, alegando que não existem terras improdutivas e passíveis de desapropriação no município. O MST discorda e entende que existem muitas áreas improdutivas nos Campos Gerais.
O líder da regional sul do MST, Domingos Mangrichi, confirmou que existe grande possibilidade de invasão de áreas na região. Sobre as cerca de 60 famílias sem-terra que estão no Kalinoski, Mangrichi afirmou que elas estão aguardando um posicionamento do Incra sobre a desapropriação de duas fazendas no município de Teixeira Soares e de um outra em Ponta Grossa.
De acordo com Mangrichi, o Incra já fez a vistoria das fazendas Santo Antônio e Guaraúna em Teixeira Soares e Pau Furado em Ponta Grossa. Em uma dessas áreas o Incra garantiu que a desapropriação pode sair dentro dos próximos dias, disse Magrichi. O líder do MST também mandou um recado para os fazendeiros, dizendo que o movimento deve realizar novas invasões dentros dos próximos dias.
A qualquer momento podemos ocupar áreas nos municípios de Piraí do Sul, Castro, Ponta Grossa, Palmeira, e Teixeira Soares, ameaça Domingos Mangrichi. Esta é a primeira grande ação do MST na região dos Campos Gerais.(G.F)


