Fazendeiro quer prejuízos ressarcidos
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de maio de 1999
Lucinéia Parra 
Fazendeiros da região Noroeste do Paraná que tiveram as áreas reintegradas na semana passada estão contabilizando os prejuízos deixados pelos sem-terra. A principal reclamação dos proprietários rurais é sobre o roubo de tratores e peças de maquinários usados no plantio das lavouras. De acordo com os fazendeiros, os sem-terra roubaram tudo que puderam, e em alguns casos, destruíram painéis de tratores, esteiras e implementos. A reportagem da Folha esteve em três das sete fazendas que foram reintegradas na madrugada do dia 7. Em duas, os proprietários da área mostraram os maquinários, que segundo eles, foram danificados pelos sem-terra.
Na Fazenda Transval, o proprietário Horácio Pagano, 36 anos, calcula que o prejuízo causado pelos sem-terra durante os 40 dias que eles ficaram na área, só na parte da lavoura, é de aproximadamente R$ 250 mil. Na propriedade, de 580 hectares, Pagano havia plantado 400 hectares de milho e 150 hectares de soja. Cerca de 130 hectares de milho chegou a ser colhido pelo proprietário antes da invasão. Este é o único lucro certo contabilizado até o momento. Na segunda parte da plantação que deveria ser colhida cerca de 10 dias após a invasão, a estimativa de perda é de 60%. O milho acamou porque o fazendeiro foi proibido de entrar na área e de fazer a colheita. Os sem-terra exigiram 10% para colher o milho mas eu não aceitei, diz Pagano.
A terceira área de milho plantada um pouco antes da invasão dos sem-terra também não vai ter a produção estimada, já que o proprietário não pode passar o adubo de cobertura e a lavoura foi atacada por lagarta. Nos 150 hectares de soja, a situação é mais drástica. Como os sem-terra proibiram a entrada dos funcionários da fazenda nos 40 dias de ocupação, a lavoura de soja não recebeu a última aplicação de herbicida e foi atacada por percevejo. A perda na soja é de 100%, garante Pagano.
A Fazenda Transval é uma das pioneiras no plantio de soja e antes da invasão cedia uma área para experimentos com variedades de soja, feitos por técnico do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Com a invasão, os estudos com as diversas variedades plantadas na área foram prejudicados. O Iapar vai ter que começar tudo de novo porque o técnico Elir de Oliveira não pode entrar na fazenda durante a invasão, lamenta Pagano.
Não bastassem os prejuízos com a lavoura, o proprietário da Fazenda Transval enumera uma lista de estragos feitos em máquinas agrícolas. O que eles (sem-terra) não roubaram, eles destruíram, diz. Da casa sede, onde segundo Pagano havia aparelhos eletroeletrônicos e objetos pessoais da família, os sem-terra levaram quase tudo. Desde escorredor de pratos a aparelho de TV e álbuns de fotografias, afirma Pagano.
No momento, Pagano inicia a colheita da segunda parte do milho e espera uma avaliação de técnicos sobre a terceira área que foi atacada por largata. Vamos colher, mas não tenho idéia da produção, explica. Pagano diz que está descapitalizado - ele esperava uma boa colheita para iniciar o novo ciclo de plantio em junho - e que vai requerer na Justiça o ressarcimento pelos prejuízos causadas na fazenda. Estou esperando um perito da Justiça para relacionar todos os danos porque não tenha dúvida de que alguém vai ter que me ressarcir.


