Fazendeiro quer esquecer conflito
Um ano após o conflito entre o fazendeiro Haroldo Scheitzer e as famílias de sem-terra acampadas na Fazenda Cordilheira, localizada às margens da PR-218 em Jundiaí do Sul (67 km ao sul de Jacarezinho), o processo que tramita na Justiça e já soma 650 páginas, indiciando além do fazendeiro 18 sem-terra, está longe de ser concluído.
O processo está parado no cartório de Ribeirão do Pinhal aguardando a devolução das cartas precatórias enviadas às comarcas da região para ouvir todas as testemunhas arroladas pelos réus. A Justiça não prevê uma data para a sentença, segundo informações fornecidas ontem pelo Fórum da Comarca.
O conflito aconteceu no dia 6 de setembro do ano passado, por volta das 12h30. Scheitzer, o fazendeiro vizinho Ney Mário Minardi e seis seguranças estavam na casa de um funcionário da Fazenda Cordilheira, quando quatro líderes do grupo de sem-terra (Wanderlei Tardelli, Idair Sebastião Ribeiro, Anísio Xavier Dias e Renato Pedro de Almeida) chegaram a cavalo na propriedade.
Uma discussão sobre o uso dos animais pelos sem-terra deu início ao conflito que deixou pelo menos 10 pessoas feridas, dois carros queimados e uma casa depredada. Sete pessoas foram mantidas como reféns por quatro horas no acampamento dos sem-terra. O líder do acampamento, Idair Sebastião Ribeiro, teve a perna atingida por um tiro.
O fazendeiro Ney Mário Minardi, que tinha ido à Fazenda Cordilheira para ajudar o amigo Scheitzer no combate à invasão da propriedade, foi um dos reféns. O fazendeiro foi agredido com pedradas na cabeça e depois amarrado a uma carroça.
Hoje, Minardi diz que prefere não lembrar do caso. Eu não processei ninguém, justamente para não ter mais nenhum tipo de contato com essas pessoas. Fiz uma procuração para a promotoria pública resolver tudo, afirma. Minardi está citado na ação como vítima e não tem acompanhado o processo.
Na época, Minardi dizia que se preciso atiraria em qualquer sem-terra que invadisse sua propriedade colocando a vida da sua família em risco. Ainda penso assim porque antes do conflito não imaginava do que esse povo era capaz. E vi que são perigosos mesmo, disse. Na versão dele, os sem-terra chegaram a cavalo e o fazendeiro Haroldo Scheitzer pediu para que eles não usassem os animais.
Dois deles desceram e liberaram os animais. Quando eu estava tirando o arreio, vi um terceiro apontando uma arma para Haroldo. Eu disse, não mexa com isso, que vai ficar pior, e mostrei o arreio na mão. Com isso eles começaram a gritar e desceu todo mundo do acampamento já atirando nos carros e na casa, contou o fazendeiro.Arquivo FolhaFazendeiro Ney Mário Minardi: Antes do conflito eu não imaginava do que esse povo é capazLuciane Tonon





