O fazendeiro Morival Favoreto, 42 anos, está revoltado com a demora do governo do Estado em cumprir a ordem de reintegração de posse da Fazenda São Francisco, em Querência do Norte (113 km a oeste de Paranavaí), invadida no dia 6 por aproximadamente 30 sem-terra. A propriedade, com 345 alqueires, é considerada modelo no cultivo de grãos - soja, trigo e milho - na região e tem o laudo de produtividade emitido pelo Incra.
‘‘Fui pioneiro em lavoura de soja na região. Antes de adquirir o imóvel, em 1990, a fazenda era só pasto. Hoje ela é altamente produtiva’’, afirmou. Favoreto se diz ‘‘refém’’ dos invasores. ‘‘No início eles pegaram quatro tratores da minha propriedade, um caminhão e o óleo diesel. Me devolveram o caminhão e três tratores e ficaram com o resto. Não me deixam chegar na propriedade’’, denunciou.
Até a cobrança de luz da fazenda não é mais emitida em nome de Morival Favoreto. Segundo ele, um dos sem-terra foi à Copel e solicitou que a conta fosse transferida para outro nome, de um dos acampados. ‘‘Na Copel me disseram que podem fazer isso, sem qualquer comprovação de que o solicitante seja dono do imóvel. Isso é um absurdo’’.
O genro de Favoreto, André Luiz Zanin, disse que a terra estava toda preparada para o plantio da safra de verão. ‘‘Se não plantarmos até outubro, perderemos o prazo’’, lamentou. A fazenda possui ainda 30 alqueires de mandioca que, segundo o fazendeiro, precisam ser cuidados. No entanto, argumenta que não há acordo com os sem-terra para que possam trabalhar em parte da terra. ‘‘Como tenho o laudo de produtividade da terra, o Incra não aceita o imóvel para fazer a reforma agrária. Estou à mercê deles’’, desabafou Favoreto.
O mandado de reintegração de posse foi emitido pela juíza Elisabeth Khater, da comarca de Loanda, no dia 8. No despacho ela requisita força policial, se for necessário, para a retirada dos invasores e o cumprimento do mandado. Recentemente deputados amigos de Favoreto tentaram contato com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, mas não foram atendidos no pedido. ‘‘Disseram que na secretaria a informação é que só vão tomar alguma providência após as eleições’’, justificou.
A maior dúvida de Favoreto é com os prejuízos que já teve e que, caso não consiga plantar nas próximas semanas, terá com a safra de verão. ‘‘Será que o governo, pela demora e medo de reintegrar uma área totalmente produtiva, irá me ressarcir destes prejuízos? Eu tenho compromissos a saldar e eu vivo somente da agricultura.’’

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