Fazendeiro que atirou em sem-terra ataca MST
Fazendeiro que atirouem sem-terra ataca MST
Da Redação
Paulo WolfgangAntonio Renato Prata: vocaçãoConcordo que o Incra faça vistorias e desaproprie fazendas improdutivas mas, em contrapartida, deve também vistoriar os assentamentos e tomar as terras onde não há produção. É o que sugere o agropecuarista Antonio Renato Prata, 65 anos, dono de três fazendas na região do Pontal do Paranapanema (extremo Oeste de São Paulo).
O fazendeiro, que visitou ontem o diretor da Folha, João Milanez, participou do confronto, mês passado, para expulsar cerca de 200 sem-terra que tentavam ocupar a fazenda Concórdia, em Tarabay, de propriedade do filho dele, Guilherme Prata. Os invasores foram rechaçados a tiros. Um deles ficou ferido.
Prata afirma que se o Incra vistoriar terras destinadas a assentamentos, vai constatar que são totalmente improdutivas. Ele cita a gleba 15 de Novembro em Presidente Epitácio e a fazenda Rebojo no município de Estrela do Norte, próxima a Presidente Prudente (SP). Das 65 famílias assentadas na Rebojo, apenas três continuam lá. O resto vendeu sua parte e virou profissional liberal.
Segundo o fazendeiro, os assentados não têm vocação para a terra. Ele afirma: Agricultura exige tecnologia. Os assentados são pessoas despreparadas, que não sabem nem ler a bula de um defensivo. Como vão ser produtores se não sabem nem regular uma máquina?
Dono de quase 2 mil alqueires de terra só na região do Pontal do Paranapanema, Antonio Prata afirma que suas áreas são produtivas. Além da seleção de gado Nelore, detalha o fazendeiro, há área destinada ao confinamento de bois, fábrica de ração e produção de milho e de soja. Na opinião dele, a tentativa de ocupação da fazenda Concórdia se deu por motivos políticos. O pessoal quis fazer represália porque meu filho é o presidente e eu o vice-presidente da UDR (União Democrática Ruralista).
Na opinião do ruralista, recorrer às armas de fogo é a única alternativa para conter a ocupação de terras. Com o MST não tem diálogo. O negócio deles é político. É só aparecer na mídia, tanto que, quando fazem assentamento, o pessoal fica com o compromisso de participar das ações do MST.
Prata conta que, após o confronto com os sem-terra, decidiu contratar seguranças que agora, segundo diz, trabalham sem armas. As armas que usamos para expulsar os sem-terra foram recolhidas pelo promotor, que ainda não as devolveu.
Conforme Antonio Prata, em relação às terras pertencentes à sua família, nunca houve dúvidas sobre a titulação de posse. O governo diz que 40% das terras daquela região são devolutas. Todas as fazendas da região do Pontal do Paranapanema serão inspecionadas pelo Incra, que verificará as que são passíveis de desapropriação. O fazendeiro critica a destinação de áreas aos sem-terra, assim como medidas de apoio, como a doação de cestas básicas pelo governo. A Justiça está sendo unilateral. Queremos Justiça para todos.
A Folha tentou falar ontem com representantes do MST em Londrina e no Pontal do Paranapanema, mas não obteve retorno.





