Fazendeiro fechava a serra com cadeados em dias de chuva
Ao contrário do que muitos pensam, a Serra do Cadeado não compreende toda a extensão de 50 quilômetros entre Mauá da Serra e Ortigueira. Este trecho da BR-376 é a Serra Apucarana Grande, um complexo que compreende as serras do Cadeado, dos Macacos, dos Mulatos e do Leão.
O nome Cadeado ficou famoso, segundo a Polícia Rodoviária de Mauá da Serra, por causa do fazendeiro Sadi de Brito. Os antigos moradores contavam que nas décadas de 40 e 50, quando chovia, o fazendeiro fechava a rodovia com correntes e cadeados, impedindo o tráfego pela estrada de barro.
Eram colocadas correntes no início da serra, próximo de Mauá da Serra, e no rio Preto, divisa com o município de Ortigueira. Ele queria evitar que a estrada se estragasse com os carros, pois necessitava dela. A partir daí, as pessoas passaram a se referir à estrada como a serra dos cadeados.
Perigo Considerado um dos trechos mais perigosos da ligação entre o Norte e o Sul do Paraná, a BR-376 esconde surpresas desagradáveis aos motoristas mais desatentos. Curvas sinuosas, buracos na pista, serração e neblina, motoristas irresponsáveis que fazem ultrapassagens em locais proibidos, colocando em risco a vida de outros motoristas, são alguns exemplos.
Segundo o comandante da 2ª Companhia da Polícia Rodoviária em Londrina, capitão José Rigoni Filho, os trechos de maior perigo e maior índice de acidentes ficam logo após o posto da Polícia Rodoviária de Mauá da Serra, numa extensão de aproximadamente 10 quilômetros, e entre o Bairro dos França e Ortigueira. Mesmo assim, placas de sinalização alertam os motoristas para o perigo e curvas sinuosas nos 50 quilômetros que separam as duas cidades.
Belezas à mostra As serras, apesar do perigo, escondem belezas. Mesmo tendo sido ocupadas por áreas de pastagens, ainda mantêm reservas de mata nativa. O viajante pode observar a imponência das montanhas, os grandes precipícios e a mudança da vegetação a cada quilômetro.
Em alguns pontos, paredões de pedras foram esculpidos pela ação do vento há milhares de anos, dando a impressão de estar chegando a Vila Velha (cidade de pedra em Ponta Grossa). Estas pedras abrigam cavernas e salões, muitas vezes escondidos atrás das matas nativas.
Em cada serra, o cenário inclui diferenças. Trechos com pastagens e pedras gigantescas se intercalam com outros de matas nativas. Na parte mais baixa da serra, próximo de Ortigueira, a vegetação é praticamente de reflorestamentos de pinus e eucaliptos, da Indústria de Papel e Celulose da Klabin, de Telêmaco Borba, que ganha mais espaço a cada dia.
Mas, a maior beleza das serras está escondida por trás das montanhas que margeiam a BR-376. A serra é vista de outro ângulo com novas cadeias de morros. Os interessados em explorar o ecoturismo na região ou mesmo procurar aventuras em cavernas, cachoeiras e trilhas, com visão privilegiada da serra, devem sair do leito da rodovia e explorar um pouco as estradas rurais.





