Capangas são usados para ‘proteger patrimônio e evitar cortes na Mata Atlântica’, segundo Sérgio Cavalcanti
O engenheiro mecânico Sérgio Chaves Cavalcanti, que se diz um ‘‘fazendeiro de final de semana’’, nega que tenha usado a força para tentar expulsar os moradores de Rasgadinho das terras que afirma lhe pertencer. Durante a entrevista à (FN27)Folha, Cavalcanti chamou os agricultores de ‘‘um pessoal de má índole e muito mentiroso’’ e justificou o emprego de ‘‘vigilantes’’ para proteger seu patrimônio, no qual diz criar 800 cabeças de búfalos.
Para ele, os capangas são uma forma de evitar que os posseiros destruam a Mata Atlântica - crime pelo qual já foi autuado pelo IAP -, em especial os palmitais. ‘‘Quando coloquei os vigilantes, o pessoal ficou quieto. Eles só entendem a linguagem da força’’, diz ele, que se considera ‘‘avesso a violência’’.
Cavalcanti afirma desconhecer que os búfalos tenham causado prejuízo às lavouras dos agricultores. Ele alega nunca ter mandado os ‘‘vigilantes’’ abrirem a porteira da fazenda, para que os animais invadissem Rasgadinho.
O fazendeiro se coloca como vítima de uma trama dos moradores e da Comissão Pastoral da Terra (CPT). ‘‘É preciso provar tudo isso. Sou o alvo preferido deles. A CPT era para ser um movimento sério, mas não é o que estou vendo no frigir dos ovos.’’
Cavalcanti acusa os posseiros de abrir a porteira da fazenda para que os búfalos invadam a vila. A intenção dos moradores, segundo o fazendeiro, seria transformá-lo no vilão da história.
Apesar de ter comprado os lotes por valores irrisórios, segundo a CPT, o fazendeiro nega que tenha havido qualquer tipo de coação para obrigar os moradores a vendê-los. ‘‘Não tenho conhecimento de coação nenhuma pelo uso da força’’, diz. ‘‘Desconheço qualquer abuso cometido pelos vigilantes. Eles eram supervisonados pelo capataz da minha fazenda, que é uma pessoa de minha estrita confiança.’’
Cavalcanti reafirma ser uma vítima dos agricultores, do IAP e da polícia. Na versão dele, os agricultores teriam derrubado quatro mil metros de cerca e matado oito búfalos. Suas críticas mais severas, no entanto, são contra o IAP e a polícia. ‘‘O IAP está defendendo pessoas que depredam a fauna e a polícia não resolve nada para acabar o conflito’’, reclama.
A postura contrária do IAP, teria impedido o fazendeiro de aumentar as pastagens. Cavalcanti afirma que, apesar dos pedidos que tem feito, o instituto não lhe dá licença de corte de qualquer tipo de vegetação. Segundo o coordenador de fiscalização do IAP, Roberto Satiro dos Santos, os pedidos foram negados porque a área está em litígio. Santos afirma que em regiões em conflito não é de praxe do instituto conceder qualquer tipo de licenciamento.
Segundo Cavalcanti, as casas da vila estão dentro de uma área de 1.028 alqueires, que constam em uma escritura em seu nome, ao contrário do que dizem os posseiros. O fazendeiro alega que tais terras teriam sido compradas, em 1963, por José Cavalcanti, patriarca da família. Parte delas - onde está Rasgadinho -, foi doada a uma irmã de Sérgio. ‘‘Ela não se interessa pela fazenda’’, diz. Ele afirma ter comprado as terras da irmã em agosto de 1995, quando começou a disputa com os agricultores.

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