O fazendeiro Darci Barbosa Maciel, 47 anos, proprietário da Fazenda Nossa Senhora de Guadalupe, em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana) está dando prazo até o dia 10 para que o Incra se manifeste sobre a compra da propriedade, invadida por famílias sem terra desde 15 de julho. Em uma vistoria realizada em outubro pelo Incra, a área foi considerada produtiva. Maciel quer vendê-la para fins de reforma agrária, mas até ontem não havia recebido nenhuma resposta do órgão. Para ele, o Incra trata com descaso os problemas da região.
‘‘Anteontem à noite, os sem-terra arrombaram as portas e entraram nas casas da sede. Estou sendo humilhado. Mas a minha maior mágoa é com o Incra, que está em campanha eleitoreira no noroeste do Estado e não atende às nossas ligações’’, desabafou Maciel, que comprou a fazenda de 283,6 hectares há quatro anos.
Maciel ameaça contratar pistoleiros para retirar os sem-terra da propriedade caso o Incra ou o Movimento Nacional do Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) não se manifestem a respeito até a próxima quarta-feira. ‘‘Solicitei ao Choptian (líder do MST em Londrina, Josmar Choptian) que retirasse os sem-terra. Ele reconheceu que a área é produtiva e orientou que eu não fizesse nada contra o MST para não sair perdendo. Agora, invadiram as casas’’.
Maciel afirma que desde a invasão a fazenda já desvalorizou cerca de 25%. Dos cinco funcionários que trabalhavam na fazenda, somente um continua no local na tentativa de preservar os bens da sede. ‘‘Os sem-terra só não invadiram a casa do funcionário porque ele tem um filho de seis meses e não teria para onde ir’’.

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