Mais de dois anos após ter sua propriedade invadida por um grupo de sem terra, o fazendeiro José Novaes Faraco, de Londrina, ainda não conseguiu resolver na Justiça a situação do imóvel. Ele reclama da morosidade em definir a ação de desapropriação de terra, pedida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
A fazenda Decolores, de 589 hectares, está localizada em Tamarana (70 km ao sul de Londrina) e havia sido adquirada por Faraco em junho de 96. Quatro meses depois, a propriedade foi invadida. ‘‘Tive que retirar o gado às pressas e perdi dinheiro com isso porque precisei vender e arrendar pastos.’’ Segundo ele, na época também havia uma plantação de 30 alqueires de milho. ‘‘Eu plantei e os sem-terra colheram.’’
O fazendeiro afirma que desde então vem passando por dificuldades financeiras e, na época da invasão, chegou a ter problemas de saúde. ‘‘Eu estava produzindo e a minha fazenda, único bem que eu tinha para deixar para os meus filhos, foi invadida. Eu pensava no assunto e começava a chorar’’, comenta. Em abril de 97, o Incra ajuizou ação de desapropriação e depositou em juízo os valores referentes à terra e às benfeitorias - R$ 780 mil (em títulos de dívida agrária) e R$ 201 mil, respectivamente.
Faraco reconhece que parte da demora se dá porque ele contestou o valor oferecido pelo Incra e chegou a pagar um profissional para fazer uma nova avaliação. A Justiça enviou dois oficiais para fazer nova avaliação, que resultou no total de R$ 686 mil. Por causa dessa diferença e da contestação, a Justiça decidiu nomear um perito para fazer novo levantamento.
Parte do dinheiro depositado pelo Incra foi retirado por Faraco que deu como entrada em uma propriedade em Umuarama. ‘‘Estou com um pouco de gado lá, tentando me reerguer.’’ A fazenda, segundo ele, é de cerca de 72 alqueires.
Faraco ressalta que, enquanto ele vem passando por dificuldades, as famílias assentadas na fazenda estão vivendo e produzindo bem. Segundo ele, dois de seus ex-empregados também acabaram ficando e se juntando aos sem terra. A propriedade, agora chamada de assentamento União Camponesa, é formada por 27 famílias.
O procurador do Incra, Nirclésio Zabot, confirma também a demora no processo e observa que isso acontece porque o fazendeiro contestou e também porque a Justiça determinou nova avaliação. Segundo ele, são cerca de 10 processos de desapropriação que tramitam na Justiça Federal de Londrina.

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