Fazendas lucram com a caça permitida
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sexta-feira, 10 de abril de 1998
Luciane Tonon 
Carlos AlmeidaAlternativaUma das fazendas de Jorge Schweizer, no Norte Pioneiro do Paraná, liberadas para a caça e o turismo Um empresário do Norte Pioneiro do Paraná faz da caça uma fonte de renda e uma atividade de controle da fauna. Jorge Schweizer é dono de duas fazendas de ecoturismo e caça. Apesar de proibida pela legislação federal, a caça é permitida nas propriedades de Schweizer devido ao controle ecológico da fauna e também da flora que são realizadas.
A cada animal abatido, o empresário deve apresentar documentação ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O animal silvestre brasileiro pertence à União. E tudo o que é do povo ninguém cuida. O que fazemos aqui é um manejo adequado desses animais, ao ponto de garantir que nessa área eles não sejam extintos, explica. Segundo ele, os caçadores pagam caro pela caça, justamente por serem responsáveis pela reposição e aumento da criação. Ele garante que a atividade dá lucro.
Animais que de uma forma podem ser prejudiciais ao homem ou à agricultura, como a capivara, podem muito bem ser controlados em fazendas de caça, gerando inclusive lucro. Shweizer nasceu e foi criado em contato com a natureza e por isso se considera um defensor autêntico do meio ambiente. Mesmo sendo considerado louco por alguns pseudo-ecologistas, amo a natureza e sei exatamente os cuidados que ela precisa.
Carlos AlmeidaPreçoA caça de animais silvestres nas fazendas Marimbondo e Guaicurus custa caro: as despesas são em dólar
As duas fazendas recebem cerca de 40 visitantes por mês. A agenda de vagas é praticamente lotada durante todo o ano. Só conseguimos vaga porque houve uma desistência, disse o aposentado, Josias dos Santos Lisboa, de Itapeva (SP). Lisboa e o ex-agente fiscal João Ailton Moraes Gomes sempre gostaram de caçar, mas há 10 anos não caçavam devido a proibição. Eles encontraram a fazenda através de um anúncio no jornal.
Um dia hospedado em uma das fazendas pode custar ao caçador US$ 60 de diária, US$ 10 pelo aluguel da arma, US$ 10 pelo aluguel do cachorro perdigueiro treinado, US$ 12 o quilo de animal de pena e US$ 10 o quilo de animal de pêlo. O chifre (troféu) do antílope pode chegar a R$ 1,5 mil e as galhadas de cervos variam de R$ 300 a R$ 1 mil.
Frequentadas por caçadores e turistas de vários partes do país e do mundo, a fazenda Marimbondo, localizada em Conselheiro Mairinck (61 km ao sul de Jacarezinho) e a fazenda Guaicurus, em Santa Mariana (16 km a oeste de Cornélio Procópio), fazem parte do itinerário da Secretaria de Turismo do Estado. Além das exuberantes paisagens, os ecoturistas têm a oportunidade de conhecer aves e animais exóticos como faisões, marrecos, cervos, antílopes, capivaras e javalis.
A Fazenda Guaicurus foi comprada em 1946. Tem 800 hectares e 20% de matas, 30% de café adensado e uma área dedicada à caça. A sede foi transformada em hotel. Passeios a cavalo, pesca, trilhas ecológicas, piscinas e comida caseira preparada com alimentos colhidos no local são atrações. A caça na fazenda é específica de animais de pena como faisões, perdizes e uma espécie americana de marreco.
A Fazenda Marimbondo, somada aos sítios anexos, tem no total 2 mil hectares, a maioria de topografia acidentada, com muitas pedras e pouco apropriada para a agricultura. A mata, que ocupa 26% da área, localiza-se às margens do rio das Cinzas e do Ribeirão Vermelho, subindo também pelas encostas mais íngremes, cabeceiras de nascentes e grotas profundas.
Além de aves, a fazenda cria cerca de 500 cabeças de cervos originários da Ásia e introduzidos na área em 1974. Os machos diferenciam-se das fêmeas pela galhada - uma estrutura óssea diferente do chifre. As galhadas são derrubadas anualmente de outubro a dezembro e aumentam em número de pontas a cada ano, até o quarto ano de vida. O quilo de galhada vale R$ 20,00. Um cervo adulto tem uma galhada de 6 pontas.


