Fazenda virtual, preocupação real
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Uns jogam porque é moda, outros para ter o que conversar com os amigos no colégio. Há até quem gaste dinheiro de verdade para comprar terras de mentirinha. Um dos maiores fenômenos na história dos aplicativos do site de relacionamentos Orkut, o Colheita Feliz é inspirado no aplicativo Farmville, de outro portal de relacionamentos bem popular, o Facebook: em ambos os jogos, o usuário pode administrar sua própria fazenda virtual. Especialista vê aspectos negativos e adverte que a dedicação a jogos virtuais pode representar uma fuga da realidade. Por isso, acompanhamento dos pais é fundamental.
O objetivo do aplicativo é que o usuário interaja com qualquer um de seus amigos, ajudando a manter a fazenda livre de pragas e pestes, ou até roubando algo da propriedade do outro. Durante o jogo, a fazendinha evolui e a cada dia exige mais cuidados.
O jogador pode plantar hortaliças, criar animais e comprar materiais para incrementar o pequeno latifúndio. Só que, para conseguir acessar algumas funcionalidades, é preciso ter as chamadas moedas verdes e, para adquiri-las, é necessário abrir a carteira real e comprar créditos.
Em duas semanas, o auxiliar de escritório Jean Carlos Alves Pereira, 17 anos, gastou R$ 5 para comprar moedas verdes e conseguir novas terras. ''Já estou com 13 terras'', calcula o jovem, que também vive ''roubando'' a colheita alheia. ''Espero madurar a plantação do outro e roubo mesmo'', brinca.
Pereira conheceu o jogo por indicação de um amigo. ''Antes entrava no Orkut só para ficar no bate-papo. Agora aproveito para jogar, enquanto não tem ninguém para conversar'', justifica, que se identifica com o caráter ''desafiador'' do aplicativo.
''Quanto mais você planta, mais você colhe e mais dinheiro você ganha para comprar sementes, animais. Esta é a graça'', diz o auxiliar de escritório, que ao chegar em casa do trabalho liga logo o computador para começar a diversão. ''Jogo, em média, sete horas diárias entre games on-line e videogames.''
Lucas Dias Augusto tem 15 anos e trocou o videogame pelo Colheita Feliz há dois meses. ''Vi meu primo jogando e adicionei o aplicativo. Para mim, é um momento de diversão e um bom motivo para ter assunto no colégio'', declara o estudante, que gosta de programar as atividades da sua fazendinha, onde planta, principalmente, kiwi e flores.
''Quanto mais alto o nível, maior o valor das plantas'', explica Lucas, que já soma 3,4 milhões de moedas de ouro. ''Minha mãe também joga e comprou moedas verdes para eu abrir mais terras'', conta o estudante, que está no nível 26 do jogo, que tem 130 estágios.
Nas suas 16 terras, ele cria um pavão, um burro, um porco, uma galinha e uma ovelha, que são cuidados por um cão de guarda. ''Me considero um pouco viciado no jogo'', diz Lucas, que costuma brincar mais aos fins de semana.


