Fazenda virou terra de ninguém
Fazenda Rio Grande - Maria Teresinha Fragoso Miranda chora ao recordar o último assalto que sua família viveu. Já viúva, a dona de casa é vizinha dos filhos -um é taxista e outro é proprietário de um bar no bairro São Sebastião, em Fazenda Rio Grande. Os dois tiveram problemas com bandidos. O primeiro foi assaltado no último dia 20 de novembro, quando três homens armados entraram na casa e levaram alguns pertences. Mesmo os danos não sendo grandes, o choque da violência é a marca maior.
Já o bar na frente da casa da família foi roubado três vezes este ano. No primeiro assalto, os bandidos levaram tudo o que podiam: televisão nova, estoque de produtos e até o baleiro. Da segunda vez, R$ 700 em dinheiro que estava no caixa. Quando começava a se recuperar, novo assalto. Tantos prejuízos fizeram o filho de Maria Teresinha mudar de ramo. Até janeiro do ano que vem, a família vai fechar as portas do comércio e partir para outro rumo. "Não dá mais. A gente vive cheio de medo. Acordo sempre no meio da noite pensando no que aconteceu. Está muito perigoso. Precisamos de segurança", desabafa a mãe, que se diz aflita toda vez que os filhos saem para trabalhar.
A família da metalúrgica Angela Maria de Abreu, 40 anos, foi uma das vítimas da onda de assaltos em Fazenda Rio Grande. No último dia 23 de outubro, sua casa foi invadida por três homens, que roubaram eletroeletrônicos, dinheiro e documentos. Durante o assalto, que durou cerca de 15 minutos, Angela, o marido e um dos filhos, de 11 anos, ficaram em poder dos bandidos, enquanto eles escolhiam o que levar. A metalúrgica calcula que o prejuízo tenha sido de pelo menos R$ 1 mil.
Angela conta que o marido foi agredido e humilhado, sendo obrigado a andar de joelhos enquanto os ladrões apontavam a arma para ele, desferindo golpes com o cano. Já ela e o filho mais novo viveram momentos de tensão com um revólver apontado para eles. A polícia foi acionada pelos filhos mais velhos, de 19 e 23 anos, que estavam em um dos quartos da casa, conseguiram fugir e pedir socorro.
De acordo com o Boletim de Ocorrência registrado pela família de Angela no 3º Pelotão da Polícia Militar (PM), a polícia foi acionada às 22h30 e chegou ao local do crime às 22h40. Às 23h30 foi registrado o final do auxílio às vítimas. Mesmo com a rapidez da PM em atender à solicitação, Angela reclama da falta de segurança na cidade. "A polícia só tem uma viatura para atender toda a cidade. Hoje, Fazenda Rio Grande virou terra de ninguém", revolta-se. (T.A.)





