Fazenda terá projeto de
recuperação de menores
Benê Bianchi
O Projeto Refazenda, idealizado por um grupo de pessoas ligadas ao trabalho com menores usuários de droga, já pode sair do papel. Foi assinado convênio com o Ministério da Justiça, possibilitando o início dos trabalhos. A informação é da promotora Solange Vicentin, membro da Fundação Refazenda - ela atuava na Vara de Infância e Juventude até recentemente.
O projeto, que vai atender 60 crianças, será desenvolvido na fazenda de 40 alqueires que pertencia ao traficante Benedito Clausen, o Dito Quati, e foi confiscada pela União. A propriedade fica no Distrito de Lerroville (zona sul de Londrina). A informação sobre a assinatura do convênio foi dada à promotora anteontem por integrantes do Conselho de Entorpecentes do Paraná (Conen-PR), órgão que vai supervisionar a implantação do projeto.
Segundo Solange Vicentin, a proposta foi encaminhada ao Ministério da Justiça há cerca de um ano e concorreu com várias outros projetos para ocupação da área confiscada. Dos imóveis confiscados de traficantes, a União destina 25% ao Conselho Federal de Entorpecentes que, por sua vez, os redistribui para implantação de trabalhos voltados ao combate e prevenção ao uso de drogas.
O Refazenda tem o objetivo de atender 60 meninos e meninas de rua, sem vínculo ou com problemas sérios com os familiares, com idade entre 7 e 18 anos. Eles vão morar na fazenda, para onde devem ir espontaneamente, e lá trabalharão no cultivo da terra.
‘‘O mais importante é que todo o projeto será desenvolvido pelos próprios meninos e meninas que irão morar lá. Eles estarão envolvidos em todas as etapas e só vão para a fazenda se realmente quiserem mudar de vida’’, comenta Solange Vicentin. Segundo ela, a implantação do Refazenda está orçada em R$ 700 mil.
Para a implantação do projeto foi criada a Fundação Refazenda, cujos membros devem se reunir nos próximos dias para dar início ao trabalho. A previsão é que a fazenda comece a receber os novos moradores em dois anos.
A propriedade era usada por Dito Quati para o refino de cocaína. Ele e alguns de seus familiares foram presos no local, há cerca de três anos. Além da fazenda, Dito Quati teve confiscados pela União uma lancha e uma caminhonete. Vários outros bens foram confiscados logo após a prisão, mas devolvidos à família.

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