A Fazenda Refúgio, na Zona Sul de Londrina, pode se tornar um parque turístico. A proposta está sendo estudada pela administração municipal e foi levantada na reunião realizada ontem, entre representantes da Promotoria de Meio Ambiente, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Sanepar, Companhia Habitacional de Londrina (Cohab -Ld) e da ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE). Antes disso, o Ministério Público e o IAP querem regularizar a situação da área que tem sofrido degradações ambientais.
''A idéia de fazer o parque é viável, mas existem danos ambientais que não podem esperar para serem amenizados. Há a extração de moledo (material utilizado na produção de asfalto), terra e grama, há a ocupação irregular de gado, existe a utilização da fazenda para ralis e motocross'', enumerou a promotora Solange Vicentin.
De acordo com Laila Menechino, da ONG MAE, a fazenda pode servir de abrigo para animais ameaçados de extinção - como a paca, o gato-do-mato pequeno e a lontra - e que hoje vivem no parque Arthur Thomas e estão na lista vermelha do Paraná. ''A gente vem estudando a fauna do Arthur Thomas e foi identificado que estes animais precisam de mais espaço. Se houver a formação de um corredor biológico ligando o parque à Fazenda Refúgio, seria possível dar condições de preservação a estas espécies.''
A Fazenda Refúgio é palco de uma disputa na justiça que se arrasta desde 1991, quando a área foi comprada com a promessa de construir moradias populares. Por uma questão de inviabilidade técnica, as casas nunca foram construídas e a área - de cerca de 150 alqueires - está sem ocupação definida. Uma estação de tratamento de esgoto da Sanepar está instalada na fazenda.
Atualmente, a Cohab é a proprietária do terreno, mas de acordo com o presidente da companhia, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, uma ação popular pde a anulação do negócio. Ele explicou que a intenção do município, através da Cohab, é fazer uma parceria com os órgãos e ONGs ambientais para viabilizar a construção de um ''grande parque turístico''. ''Uma reunião foi realizada na quarta-feira (dia 22) entre secretários municipais, Cohab, CMTU e Ippul para discutir sobre a fazenda e o que se chegou foi na transformação da área em um parque.''
Entretanto, o IAP e o MP - que exigem que a Cohab tome providências sobre as ações de degradação - propuseram a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) até que os projetos do parque sejam viabilizados. ''Existem inconformidades, só que como há a intenção do município em transformar a área, o ideal era a assinatura de um TAC, mas a Cohab se recusou e pediu um prazo até terça-feira para dar uma resposta'', informou o chefe regional do IAP, Carlos Alberto Hirata.
A promotora afirmou que, caso a Cohab não assine o TAC, as alternativas seriam uma autuação através do IAP ou uma representação administrativa do Ministério Público estabelecendo um prazo para que as providências sejam tomadas. ''Isto foi colocado na reunião e agora vamos aguardar a resposta da Cohab.''
Na reunião realizada ontem também ficou decidido que o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) têm 90 dias para apresentar um plano de ocupação da Fazenda Refúgio.

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