Polêmicas que se acumulam há mais de uma década na Fazenda Refúgio (zona sul), de propriedade da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina, estão acarretando problemas a moradores da região. Mais conhecido como ''Pirambeira'', devido à topografia irregular, o local é alvo de processos judiciais e já serviu para campeonatos de hipismo e motocross, programas de reciclagem de lixo e foi cogitado até para a construção de casas populares.
Hoje, moradores do Residencial José Bastos de Almeida (zona sul) bairro vizinho que tem pouco mais de dois anos e abriga cerca de 300 famílias, segundo a loteadora responsável pela área reclamam que são obrigados a conviver com bois e cavalos soltos, provocando estragos e danos à sa© úde. A origem dos animais, segundo relatos de moradores e dos próprios órgãos municipais, é a Fazenda Refúgio. O proprietário do gado seria um invasor, que há cerca de cinco anos ocupa parte da fazenda e costuma soltar os animais para pastar nas datas vazias da região.
O dono dos animais responde a processo que corre na 5 Vara Cível de Londrina. Depois que ele se recusou a retirar os animais da fazenda, a Justiça decidiu leiloá-los. Segundo o presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afonseca e Silva, o leiloeiro responsável por avaliar e contar os animais foi ameaçado pelo invasor, que estaria armado, levando a Justiça a pedir auxílio da polícia para retornar ao local. Nem o invasor, nem o juiz Alberto Júnior Velloso, que está conduzindo o processo, foram encontrados para confirmar a história.
Outro caso de ameaça foi relatado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema). Segundo o diretor operacional da Sema, Gerson Galdino, funcionários do órgão que estiveram na fazenda foram expulsos sob a mira de armas. Galdino afirma que a Sema já recebeu reclamações sobre os animais soltos nos bairros próximos ao local, mas tem que aguardar a solução judicial do impasse.
Enquanto isso, a convivência com o gado em perímetro urbano mexe com a rotina de moradores. A professora Adriana Paganelli Garcia, 29 anos, conta que os animais derrubam pequenas árvores, espalham o lixo das casas e entram nos quintais das residências. ''A gente acaba de lavar a calçada, eles vêm e sujam tudo de novo. Não temos mais paz, é preciso ficar atenta para botar o lixo pra fora somente na hora em que o caminhão passa, se não os bois bagunçam tudo'', relata. Já a dona-de-casa Raquel Rodrigues Costa reclama que ''não pode plantar nada, porque os bois comem qualquer planta'' e afirma que já encontrou carrapatos grudados na neta pequena. ''Ninguém mais pode sentar na calçada, descansar na sombra, que corre o risco de pegar bicho'', protesta.
Segundo o chefe de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde, Marcelo Viana de Castro, a presença dos animais pode trazer danos à saúde e é passível de notificação ao órgão. ''Os carrapatos causam irritação e feridas, que podem acabar provocando infecção. Quem sofre mais geralmente são as crianças'', explica. Castro destaca que, se o problema for grave, os moradores podem formalizar uma reclamação junto à Vigilância, que vai enviar técnicos para orientação e aplicar produtos de combate aos carrapatos no local, se necessário.

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