Fazenda misteriosa atiça curiosidade
Mário CésarEspeculaçãoMisterioso empreendimento instalado numa propriedade rural próxima ao patrimônio Taquaruna, pertencente ao distrito de Irerê, na zona sul de Londrina, tem despertado a curiosidade dos moradores e até de políticos da região. Conhecida como fazenda Santa Mônica, a propriedade mantém a porteira fechada com cadeado há pelo menos dois anos, com segurança impendindo qualquer tentativa de acesso. Dentro da fazenda foi construída uma pequena vila, com cerca de vinte casas, três barracões, guarita, além da sede. Existem também obras em andamento, como uma represa junto ao rio que corta a propriedade.
Segundo os moradores, ninguém que mora ou trabalha na fazenda comenta sobre o que realmente estaria sendo constuído lá dentro. Ao contrário: evitam ao máximo a aproximação, contrastando radicalmente com o modo de vida da população rural. O povo é tudo estranho, ninguém dá conversa. Normalmente a gente fala, faz amizade com os vizinhos, diz o que está fazendo. Mas a conversa com eles é diferente, observa Joaquim Machado dos Santos, morador do patrimônio Taquaruna e que trabalha numa granja da região.
Mário CésarDesconfiadaLeila: Deve ser coisa de segredoJoaquim dos Santos comenta que, antes dos atuais proprietários chegarem à fazenda Santa Mônica, havia lá uma vasta produção de soja, milho e outras culturas. Mas de dois anos para cá parou tudo e a gente não sabe com o que eles estão movimentando. A gente não está sabendo de nada, só ouve falar, diz. O que restou, nos 74 alqueires da propriedade, é uma longa área de pastagem e lavoura de milho, além das novas edificações.
O mistério tem atiçado a imaginação dos moradores daquela área. Especulação é o que não falta. Estão entre as alternativas de empreendimento apontadas por eles: uma escola agrícola; uma escola técnica para formação de mão-de-obra especializada em mecânica pesada; uma oficina de aprendizagem para operários trabalharem no Japão; indústria de transformação de chumbo ou de baterias; uma comunidade de determinada etnia; e até mesmo uma seita religiosa.
Ouvi dizer que a turma veio do Rio Grande do Sul. Parece que é para fazer uma fábrica, mas eles mesmo não falam para que é. Só mesmo o pessoal da fazenda é que sabe, diz João Corrêa, que mora em Irerê e presta serviços para a subprefeitura local. Tenho um cunhado que mora perto da fazenda, mas ele também não tem idéia do que eles fazem lá. O pessoal fica curioso.
Parece que...Corrêa: O pessoal fica curiosoO comerciante João Cordeiro, que há 25 anos tem um bar no patrimônio de São Luiz, lembra que alguns moradores da fazenda Santa Mônica chegaram a frequentar o seu estabelecimento. O povo lá é gozado. Se a gente começa a perguntar, acabou a amizade. Nunca vi coisa igual, conta. E eu conheço todo aquele pedaço, fui criado na região. Mas não sei o que tem lá dentro. Dizem que nem polícia entra lá. Algum segredo tem.
João Cordeiro observa que duas das crianças que moram na fazenda estudavam no patrimônio São Luiz. Saíram de lá e foram ter aulas numa escola municipal em Taquaruna. Depois abandonaram as aulas. É engraçado, parece que não pode estudar junto com as outras crianças daqui. Não sei o que tem lá mas um dia a gente descobre.
Nem mesmo quem mora ao lado da fazenda Santa Mônica tem idéia sobre qual tipo de empreendimento há no local. É o caso de Leila de Souza, esposa do administrador da fazenda Itajubá, vizinha da Santa Mônica. Ninguém sabe o que é, mas deve ser uma coisa grande. Estes tempos passou aqui um caminhão tipo guindaste; outras vezes passou caminhão levando cimento, pedra, areia, um monte de coisa. E ultimamente está mais movimentado.
Leila conta que o marido chegou a entrar numa pequena parte da propriedade, quando alguns bois da Itajubá invadiam a Santa Mônica. O rapaz vinha, avisava, e ele entrava lá. Mas só na beirada da fazenda. Ela lembra que até mesmo uma perua Kombi do posto de saúde, usada para vacinação de crianças, foi impedida de entrar na fazenda. E lá tem crianças, umas duas ou três. Deve ser alguma coisa de segredo. Se fosse coisa normal não precisaria ter guarda.





