A liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) anunciou ontem que mais 10 famílias estão montando barracas na fazenda Doralúcia, no município de Cruzeiro do Sul (48 quilômetros de Paranavaí). A propriedade, de 360 alqueires, foi invadida no último sábado por 80 famílias. Segundo Antonio Soares, coordenador do MST na região, existe a possibilidade de outras famílias cadastradas nos municípios próximos a Cruzeiro do Sul serem assentadas no acampamento.
Um dos proprietários, João de Oliveira Franco, já pediu a reintegração de posse na Justiça. Soares acredita que com a aprovação da lei que impede o despejo sem a participação de uma comissão especial, as famílias vão continuar na área mesmo se a Justiça conceder a reintegração da posse. O projeto de lei, aprovado no último dia 4 de dezembro pela Assembléia Legislativa, exige a participação de uma comissão com membros de todos os poderes e órgãos ligados à questão agrária, no processo de despejo dos sem-terra.
Em Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí), os sem-terra fizeram um desfile com o maquinário adquirido pelo MST na região. Segundo os líderes do movimento, a intenção é mostrar que os sem-terra estão estruturados e cultivando a terra em algumas das sete áreas ocupadas. O MST tem 46 tratores, duas colheitadeiras e implementos na região de Querência, onde existem mais de 1.500 famílias acampadas. Boa parte dos mais de 8 mil hectares ocupados pelo MST já é cultivada com lavouras de milho, algodão, mandioca e hortas.
Municipalização O deputado federal Valdomiro Meger (PPB), disse ontem em Maringá que os proprietários rurais precisam se unir contra a ‘‘onda de invasões’’ na região Noroeste. Ele defende a volta de entidades representativas que defenda os interesses dos produtores. ‘‘Se preciso vamos juntar forças para impedir novas invasões, como tem ocorrido no Pontal do Paranapanema’’, afirmou.
Para Meger a reforma agrária deveria ser municipalizada, com cada prefeitura cadastrando famílias de sem-terra e áreas passíveis de desapropriação. ‘‘Resolvendo a questão local estaríamos solucionando um problema nacional’’, afirma.

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