A Fazenda Rio Tonete, em Nova Cantu (120 km ao sul de Campo Mourão), já está com 991 famílias acampadas. A informação é da liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na região. A invasão começou na madrugada de domingo, quando as famílias deixaram o acampamento às margens da PR-239, entre Nova Cantu e Roncador.
Segundo o MST, o acampamento chegou a ter 1.087 famílias cadastradas, mas 96 delas foram para as fazendas Santa Terezinha e Nova Jerusalém, também em Nova Cantu. O restante está na Rio Tonete.
‘‘Aqui tem terra para assentar todo mundo’’, justifica um dos líderes do MST em Nova Cantu, Julir das Chagas Martins. A Fazenda Rio Tonete está em nome de Derci Slaviero e tem pouco mais de 200 alqueires, mas os sem-terra alegam que as fazendas vizinhas que pertencem à família Slaviero também são improdutivas e passíveis de reforma agrária.
‘‘Na verdade, elas são improdutivas porque mantêm pastos degradados e de péssima qualidade’’, explica Martins. Antes da invasão, o grupo ficou cerca de quatro meses às margens da PR-239.
Eles estavam numa área do assentamento Santo Reis, que foi formado numa antiga fazenda do Grupo Slaviero. ‘‘Esse grupo dividiu as terras em áreas menores só para dizer que são propriedades pequenas’’, acusa Martins. Ele não sabe precisar quantos alqueires a família Slaviero mantém na região.
‘‘As propriedades atingem quatro municípios e o pessoal precisa trabalhar’’, argumenta. O caso já está na Justiça. Os donos da fazenda invadida entraram com um pedido de reintegração de posse em Campina da Lagoa, onde fica a sede da comarca.
Os rumores de que fazendas seriam invadidas em Nova Cantu começaram há quatro meses, quando os sem-terra começaram a formar o acampamento na PR-239. Na época, o MST negou que existissem propriedades no municípios que já estivessem no alvo do movimento.
A alegação era que eles estavam apenas criando uma espécie de ‘‘acampamento-escola’’ e aguardando um novo levantamento do Incra sobre as propriedades improdutivas da região de Campo Mourão. Boa parte das famílias acampadas é da região.
Armas Durante a formação do acampamento, houve até denúncias de que entre os novos sem-terra estariam funcionários da prefeitura da Nova Cantu. As invasões começaram na final de semana retrasado. As três fazendas foram invadidas em menos de 10 dias.
Para evitar conflitos mais graves, a Polícia Militar desarmou os funcionários das áreas tomadas pelos sem-terra. Foram apreendidas três espingardas de funcionários da Fazenda Nova Jerusalém e cinco armas - inclusive uma escopeta - que pertenciam a empregados da Fazenda Rio Tonete.
‘‘Nós só temos enxadas e foices’’, diz Martins. Durante a invasão à Fazenda Nova Jerusalém, no entanto, a PM precisou intermediar uma negociação para que os funcionários pudessem ser liberados para entrar e sair da propriedade. A princípio, eles chegaram a ficar em poder dos sem-terra, o que para a polícia poderia significar que os empregados estavam de reféns.
Na terça-feira, o comandante do 11º Batalhão da Polícia Militar de Campo Mourão, tenente-coronel Sidnei Edson Mella, visitou as três fazendas invadidas em Nova Cantu.

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