Cerca de 400 famílias invadiram domingo a Fazenda São Luiz, em Mariluz (35 km a sudeste de Umuarama). Os sem-terra estão acampados no distrito de São Luiz, um vilarejo com aproximadamente 400 moradores, localizado dentro da fazenda, de 2.300 alqueires. O proprietário José Teixeira, de 84 anos, mora em Presidente Prudente (SP).
Os invasores saíram de acampamentos de Nova Cantu e Ibema, no oeste do Estado. Parte das famílias foram despejadas da Fazenda Slaviero, em Ibema e estavam acampadas à margem da rodovia PR-277.
As primeiras famílias chegaram à Fazenda São Luiz na madrugada de domingo.
Cerca de 200 famílias ficaram ‘‘presas’’ no posto da Polícia Rodoviária de Goioerê e estão acampadas ao lado do posto. A Polícia apreendeu caminhões e ônibus que estavam em situação irregular.
O Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está tentando liberar os veículos para que as famílias possam seguir viagem. O distrito de São Luiz fica a 20 quilômetros de Mariluz, com acesso apenas por estrada de terra.
Segundo um dos coordenadores do MST no oeste, Celso Ribeiro, o movimento decidiu invadir a Fazenda São Luiz para tentar apressar o processo de desapropriação. Segundo Ribeiro, o Incra já declarou a fazenda improdutiva. A propriedade teria apenas mil cabeças de gado.
O prefeito interino de Mariluz, Luiz Albino Borgeti (PDT), recebeu ontem, na prefeitura, uma comissão de sem-terra que pediu água, alimentos, material para construção de barracas, atendimento médico e escola para as crianças dos acampanhados. A rede de abastecimento de água do distrito é suficiente apenas para a população local.
Ontem o fazendeiro ingressou com ação de reitegração de posse no Fórum de Cruzeiro do Oeste. Esta é a segunda invasão de terra na região de Umuarama que até ano passado estava livre da ação do MST.
A primeira invasão aconteceu em agosto em Icaraíma, na Fazenda São Paulo, propriedade que o Banestado tomou em troca de dívidas e anunciou que doaria para o Incra fazer reassentamento de sem-terra.

mockup