Fazenda de pioneiro é desmatada
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quarta-feira, 12 de setembro de 2001
Maranúbia Barbosa 
Uma fazenda localizada em Ibiporã (14 quilômetros a leste de Londrina), reflorestada pelo pioneiro inglês John Muller Hays, que chegou à região de Londrina na década de 30, está tendo a paisagem modificada pelo corte de 503 árvores de espécies e idades variadas. A erradicação foi autorizada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Situada na Gleba Ribeirão das Abóboras, a Fazenda Boa Esperança, de 102 alqueires, foi vendida depois da morte do pioneiro, aos 96 anos, em junho deste ano. No lugar das árvores o novo proprietário, o agricultor José Pugesi, que seria do Mato Grosso, vai cultivar culturas de soja e milho.
Modelo de preservação ambiental, a fazenda foi deixada como herança para uma sobrinha de Hays, que reside na África do Sul. Depois do falecimento do pioneiro, a herdeira, de 70 anos, esteve em Ibiporã e vendeu a propriedade, que agora está sendo desmatada. Muitas das árvores plantadas têm mais de 50 anos e algumas vieram de países da América Central, como a Guatemala.
O gerente da Serraria Três Marcos, Ronaldo Inácio da Silva, de Londrina, responsável pela retirada e comercialização da madeira, afirmou que o novo proprietário quer remodelar a fazenda e transformá-la em exemplo de produtividade agrícola.
As árvores que estão sendo cortadas são eucaliptos, grevíleas, santas-bárbaras, amendoinzeiros e espatódia, entre outras, informou o gerente da serraria. As madeiras de boa qualidade serão vendidas e o que sobrar será aproveitado como lenha, disse Silva.
De acordo com o chefe regional do IAP, Andrew Pinheiro Neto, o corte foi autorizado porque as espécies em questão foram plantadas e são consideradas material energético, tendo em vista a possibilidade de serem transformadas em carvão. Entretanto, o chefe do IAP afirmou que o desmate não pode adentrar os 30 metros da mata ciliar que existe na fazenda e nem a reserva nativa que ainda existe no local.
A diretora do Museu Histórico de Londrina, Conceição Geraldo, conheceu o pioneiro, e ressaltou a preocupação dele com problemas ambientais. Segundo ela, Hays importou mudas de árvores e se encarregou pessoalmente de plantá-las. Ele, que era engenheiro, chegou a Londrina com a intenção de comprar uma grande propriedade, o que não foi possível devido à determinação da Companhia de Terras, baseada em pequenos e médios lotes.
A diretora do Museu relatou também que o inglês comprou a chácara Recreio, local onde hoje está o bairro londrinense que ainda conserva o mesmo nome. Algum tempo depois, ele adquiriu a Fazenda Boa Esperança e se mudou definitivamente para lá, onde se recusou a instalar telefone e televisão. Hays, que nunca se casou e viveu sempre sozinho, era considerado uma pessoa muito culta. Depoimentos e fotografias do pioneiro inglês fazem parte do acervo do Museu.


