QUERÊNCIA DO NORTE - Famílias de sem-terra invadiram a Fazenda Dois Córregos na madrugada de ontem, em Querência do Norte (113 quilômetros ao norte de Paranavaí). O fazendeiro Álvaro Luiz Uchôa, 39 anos, morador em Londrina, informou que foi registrada queixa de invasão de propriedade na delegacia de Querência do Norte, e que vai entrar com uma ação de reintegração de posse na Justiça. Ele não soube informar, no entanto, quantas famílias participaram da invasão.
A fazenda tem 200 alqueires de plantio de mandioca para abastecer uma fábrica de farinha na região. No início do ano, uma outra propriedade da família Uchôa foi invadida. ‘‘Desde então, tentamos um acordo com o Incra. Queremos vender as terras ou que o Incra desaproprie para fins de reforma agrária, pois prevíamos esta invasão’’, afirma. Ele explica que técnicos do Incra já fizeram levantamento na área, mas não deram resposta sobre a negociação.
‘‘O meu cunhado e sócio da fazenda, Marcos Menezes Prochet, está acertando os detalhes com a polícia para acabar com a invasão. As informações que eu tenho foram transmitidas por ele’’, explicou. Prochet é o presidente da União Democrática Ruralista (UDR) do Paraná, criada recentemente em Paranavaí.
A preocupação maior de Álvaro Uchôa é com os comentários ouvidos na região de Querência do Norte, de que várias fazendas seriam invadidas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST). ‘‘Estes comentários foram feitos pelos sem-terra e por técnicos do Incra. Estão tentando criar um Pontal do Paranapanema no Paranᒒ, comparou.
Inconformado com a invasão e a demora do Incra em negociar a área, Uchôa chega a criticar o Instituto. ‘‘Não sabemos se o Incra está fora deste processo’’, diz.
Entre as críticas, ele cobra uma postura mais definida do governo do Estado. ‘‘O governo não vem cumprindo nenhuma reintegração de posse no Paraná, o que dá margem a novas invasões. Temos notícia de 38 fazendeiros com reintegração nas mãos, mas a polícia não as cumpre’’.
O presidente da União Democrátiva Ruralista (UDR), Marcos Prochet, não foi localizado ontem pela Folha. Segundo informações da empresa Irmãos Prochet, Marcos estava em Querência do Norte. Na fazenda da família, a informação era que máquinas dos sem-terra estavam arando uma área com plantio de mandioca, dentro da propriedade de Marcos.
MST não fala No escritório do Movimento dos Sem-Terra (MST) em Querência do Norte, uma funcionária que se identificou como Janete, disse que os líderes não dariam entrevista para a Folha. Bastante irritada, ela alegou que as reportagens da Folha não interessam ao movimento, citando a matéria publicada no último domingo, sobre a reativação da UDR no Paraná.
O assessor da superintendência do Incra no Paraná, Oswaldo Euclydes Aranha, disse ontem que ficou sabendo da invasão através da Folha. Ele informou que foram realizadas vistorias na fazenda na semana passada e que o laudo sobre a produtividade da terra deverá sair na próxima semana. Ele diz que as invasões atrapalham o processo de reforma agrária e que, caso o proprietário da Fazenda Dois Córregos solicite, o Incra poderá intermediar um acordo para a retirada dos sem-terra. (Colaborou Marcos Zanatta)

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