Fazenda abrigará projeto para dependentes
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sexta-feira, 10 de março de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Uma fazenda que era usada para o refino de cocaína em Londrina deve ganhar destino mais nobre servir de local para o tratamento de dependentes químicos. A proposta é da Organização Não Governamental (ONG) Projeto Londrina Viva (Prolov). A fazenda fica próxima ao Distrito de Paiquerê, na região sul da cidade, e era de propriedade de Benedito Carlos Clausen, conhecido como ''Dito Quati'', acusado de integrar uma das quadrilhas mais perigosas que já atuaram no Paraná.
Segundo o vice-presidente do Prolov, Adriano Pontes Venturini, o público-alvo são homens, de qualquer idade, dependentes de álcool ou qualquer outro tipo de droga. O tratamento deverá funcionar dentro do programa dos Alcoólicos Anônimos (AA) e Narcóticos Anônimos (NA), que pregam os chamados ''12 passos'' para a recuperação.
Através desses ''passos'', o dependente químico admite sua impotência perante a doença, admite suas falhas e busca em Deus (independente da religião) um poder maior para ajudá-lo. ''É uma doença que atinge a parte espiritual, emocional e física'', enfatizou. Os homens atendidos deverão ficar internados por pelo menos seis meses, período em que deverão trabalhar em hortas e em atividades comunitárias, como o preparo dos alimentos e a limpeza do local.
A expectativa, segundo Venturini, é começar o atendimento em 40 dias com pelo menos seis pessoas. ''O objetivo é chegar a atender 60 pessoas, que é o que temos condição de receber'', explicou. O tratamento deverá ser pago, valor, que segundo Venturini, ainda não foi definido. Mas a manutenção do projeto também deverá ser feita através de promoções beneficentes realizadas pela ONG.
O atendimento será feito por pessoas que já passaram pelo mesmo problema e já estão em fase de recuperação. ''Nunca falamos que a pessoa está recuperada porque é uma doença incurável, mas que pode ser detida. E quem já passou por isso tem mais condições de entender o que se passa com aquele que está em tratamento'', argumentou.
Citando dados da Organização das Nações Unidas (ONU), Venturini enfatizou a importância de se conscientizar a sociedade para o problema: ''segundo a ONU, em cidades com mais de 500 mil habitantes, 10% tem problemas de dependência química. E cada dependente atinge mais quatro ou cinco pessoas, sejam familiares, vizinhos ou colegas de trabalho''.
O espaço foi cedido ao projeto pela Vara da Infância e Juventude. Segundo a promotora Edna Maria de Paula, não é a primeira vez que o local abriga um projeto para recuperação de dependentes químicos.


