‘‘Faz cinco anos e 10 meses que a resposta do governo é não insista.’’ A frase resume a revolta dos servidores públicos estaduais ligados ao setor de saúde em Londrina, que reivindicam reposição salarial de 50,03%. Os funcionários interditaram ontem à tarde a avenida em frente ao Hospital Universitário (HU) durante cerca de meia hora, promoveram um apitaço e se deitaram no asfalto para protestar contra as perdas salariais. De manhã, os servidores fizeram o mesmo protesto em frente ao Hospital de Clínicas (HC), no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL). No dia 30 de agosto a categoria completa seis anos sem reposição salarial. Em Londrina, cerca de 4.600 trabalham no HU e HC.
O diretor do Sindicato dos Empregados em Estabelecimento de Serviço de Saúde (SinSaúde), Onarides Vallez Pires, informou que as negociações seguem até agosto. ‘‘Uma possível paralisação vai depender da posição do governo estadual’’, explicou Pires. A presidente do SinSaúde, Ana Maria da Cruz, acusou o governador Jaime Lerner de intransigente. ‘‘No protesto das mulheres de policiais militares (ocorrido há cerca de três semanas) o governador disse que quem não estiver satisfeito pode sair. Nós não estamos satisfeitos mas não iremos pedir as contas. Vamos continuar cobrando a reposição.’’ Ana Maria também cobrou uma postura mais efetiva do reitor Jackson Proença Testa. Segundo a sindicalista, o reitor teria que conhecer a situação dos servidores, em vez de ‘‘ficar só dentro do gabinete’’.
O porteiro do HC, Moacir Alicio do Prado, 46 anos, é funcionário estadual há 13 anos e tem salário bruto de R$ 370,00. Ele disse que os servidores não querem aumento, mas ‘‘uma reposição justa’’. Prado destacou que o governador já caiu em descrédito junto aos servidores. ‘‘O Lerner não precisa contar com nosso voto’’, afirmou Prado. O zelador Natalino Antônio de Oliveira trabalha no HC há quatro anos e também perdeu a confiança no governador. ‘‘Na campanha, ele (Lerner) prometeu olhar pelos servidores, mas depois de eleito se esqueceu das promessas’’, reclamou.
A presidente do SinSaúde informou que os servidores farão novos protestos nos próximos dias, até que o governador aceite negociar.

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