Curitiba - Apesar do número de acidentes com aranhas-marrons ter caído no Paraná, nos últimos três anos, esse ainda pode ser considerado um problema de saúde pública. Neste ano, 4.744 casos de picadas foram registrados no Estado, mas, de acordo com o secretário estadual de Saúde, Gilberto Martin, cerca de 90% das incidências acontecem em Curitiba e Região Metropolitana.
Na tarde de ontem, foi apresentado, em Curitiba, o resultado do Projeto Pronex "Monitoramento e controle populacional da aranha-marrom", um estudo desenvolvido no Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI) e em laboratórios da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Com o objetivo de descobrir os métodos mais eficazes de combater as populações do aracnídeo, a pesquisa, iniciada em 2004, envolveu biólogos, químicos e físicos de universidades paranaenses, do Japão, Estados Unidos, Eslovênia e Alemanha.
A maior descoberta dos pequisadores foi que o combate deve ser feito em várias frentes. "Tem que haver uma ação integrada. Limpar frestas, usar aspirador de pó ou jatos de ar quente e associar com produtos químicos. A melhor estratégia é acabar com esconderijo da aranha", explica Emanuel Marques, um dos coordenadores do projeto.
Durante os testes, uma casa foi montada especificamente para avaliar as metodologias na prática. De acordo com o vice-coordenador das pesquisas e professor de química da UFPR, Francisco de Assis Marques, a idéia era criar um ambiente mais próximo da realidade. "Verificamos que, mais eficaz do que repelentes, é o controle estrutural (frestas) e a manutenção das lagartixas, predador natural da aranha-marrom".
O fato de Curitiba e Região Metropolitana concentrarem o maior número de acidentes com o aracnídeo do Brasil e, possivelmente, do mundo, é por causa da espécie mais comum da região ser bastante generalista e de rápida reprodução. Esse aspecto também foi avaliado nos estudos.
Segundo o secretário Martin, de posse das novas informações, a Secretaria do Estado da Saúde deve incorporar o conhecimento nas ações de prevenção. "Vamos criar uma nova rotina nas ações de saúde pública no combate à aranha-marrom". Ele não descarta a possibilidade de, no próximo ano, haver uma grande campanha nas residências envolvendo os agentes de saúde da família.

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