Curitiba tem 120 mil pessoas vivendo em favelas, segundo levantamento do Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), concluído no final de 1997. O número de domicílios precários cresceu desde o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontava 29 mil moradias irregulares em 1991, para 32,3 mil, mas a proporção continua sendo de 8% do total. Além das 180 áreas de invasão, cresce o número de loteamentos irregulares, feitos com a aprovação dos proprietários, principalmente na região Sul da cidade.
Comparando as fotos aéreas de 1980 e de 1996 é possível perceber o avanço das ocupações, regulares ou não, sobre a área do município de Curitiba. O coordenador de Habitação no Ippuc, Marco Aurélio Becker, considera que o maior desafio é promover a ocupação regular da única área restante para moradias populares, no Sul do município, de maneira gradativa e proporcionando o desenvolvimento econômico da região, evitando a formação de um bolsão de pobreza.
Para a prefeitura, é muito mais barato promover os assentamentos de forma planejada do que regularizar as invasões, já que nesses casos é necessário pagar por desapropriações para conseguir terrenos para construir escolas, praças e até ruas. Além disso, os moradores de áreas irregulares não pagam Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
Uma equipe com representantes do Ippuc, Cohab, Urbs e Secretaria de Urbanismo deve pesquisar ainda este ano o perfil das pessoas que vivem nas favelas. ‘‘Sabemos que aumentou o número de idosos, por exemplo, mas precisamos saber mais’’, diz Becker. A pesquisa também deve mostrar se está crescendo a migração de pessoas do interior para a capital. Com a falta de espaço em Curitiba, a médio prazo os convênios com as prefeituras dos municípios vizinhos para construção de loteamentos serão a única alternativa de habitação popular na Região Metropolitana.
O coordenador de Habitação do Ippuc, Marco Aurélio Becker, acredita que a ‘indústria das invasões’ (pessoas invadindo áreas para vender o terreno em seguida) ainda existe, mas com menos força. Apesar da resistência de muitos moradores das áreas invadidas, ele considera que a relocação tem sido vantajosa para eles. Nas ocupações os equipamentos públicos são deficientes e superlotados, muitas vezes as casas estão em áreas sujeitas a enchentes, os terrenos se desvalorizam e os moradores sofrem o preconceito dos vizinhos. Nos loteamentos regulares, como no Bairro Novo, a infra-estrutura chega mais rápido, existe um plano de desenvolvimento regional e a tendência é a valorização imobiliária.

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