Favelados trocam barracos por casas
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sexta-feira, 24 de outubro de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
Sid SauerSem resistênciaO velho barraco de Vergílio Firmino de Souza caiu quando ele começou a demolição para vender as telhas Trinta e duas famílias que moravam na Favela Vila Nova, no Jardim Tropical, em Campo Mourão, trocaram ontem os barracos por casas construídas pela Cohapar num terreno ao lado. Outras 28 famílias se mudam nos próximos dias. As 60 casas do Conjunto Habitacional Condor são as primeiras do interior do Estado voltadas para o desfavelamento. Cada uma custou R$ 4 mil e foi feita em 97 dias. As unidades têm 31 metros quadrados.
Agora vou ter mais seguro e conforto, comemorou a dona-de-casa Joraci Firmindo de Souza, 39 anos. Ela morava há 11 anos num barraco que estava escorado para não cair. Ontem, após a mudança, o marido dela, Vergílio Firmino de Souza, 36 anos, foi desmanchar a velha casa. Quero ver se aproveito pelo menos as telhas para vender, disse. Poucos minutos depois, no entanto, a casa caiu. Vergílio não se feriu, mas perdeu as telhas.
Foi só tirar a escora e a casa foi para a bica, contou Joraci. Tinha medo de morar lá, mas não tinha para onde ir. O marido é aposentado e junta ferro-velho para aumentar a renda da família. Contente com a casa nova, ele não reclama nem da prestação mensal que terá que pagar a partir de agora. São R$ 14,00 no primeiro ano e R$ 20,00 a partir do segundo, num financiamento de 25 anos. Tenho condições de pagar isso.
Sid SauerVida novaMaria Soares com uma das filhas, em frente da casa nova: mudança para uma casa de verdade
O pintor Mauro Soares, 38 anos, também vibrou com a mudança para a casa nova. Ele morava há nove meses num barraco de uma só peça com a mulher, Maria, e duas filhas. Vamos para uma casa de verdade, ressaltou. Além da casa, Mauro conseguiu serviço durante a construção do conjunto. Pintei várias dessas casas, disse orgulhoso.
Medo Fizeram algo caprichado para o povo daqui, disse emocioado o jardineiro Aldori Quirino de Moraes, 29 anos. Ao chegar à nova casa, ontem, ele chamou até um fotógrafo para registrar o começo da vida nova. Aldori posou em frente à nova residência junto com a mulher, Maria Aparecida, e parte dos cinco filhos. Graças a Deus não moro mais na favela, disse Maria Aparecida.
Segundo o gerente regional da Cohapar em Campo Mourão, Norton Horn, a mudança das primeiras famílias é apenas o começo de um projeto mais amplo. Outras 84 casas para combate aos desfavelamentos já estão projetadas, disse. Levantamento da companhia realizado este ano revelou que Campo Mourão tem 552 famílias morando em favelas. Somente na Comunidade São Francisco de Assis existem 320 barracos e mais de mil moradores.


