Favelados invadem terreno industrial
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de dezembro de 1998
Maurício Borges 
Dez famílias de favelados de Manoel Ribas (150 km ao sul de Apucarana) acamparam anteontem, num terreno do parque industrial da cidade, às margens da BR-466. O objetivo seria ocupar uma fazenda improdutiva no município com apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Abordados pela Polícia Militar, os invasores informaram ontem que o acampamento será completado por mais 25 famílias de Manoel Ribas e outras que virão de Pitanga e Cândido de Abreu. Líderes do grupo também disseram que estão aguardando a chegada de uma comitiva do MST, que viria da região Oeste do Estado para coordenar a invasão de uma fazenda.
Por enquanto, o prefeito de Manoel Ribas, Antônio Camilo (PTB), não manifestou interesse de que as famílias sejam retiradas do terreno invadido no parque industrial. Policiais militares foram orientados pelo comando do 10º BPM, de Apucarana, apenas para monitorar a área.
Em São Jerônimo da Serra (95 km ao sul de Londrina), um grupo de 25 famílias sem-terra ocupou, ontem de manhã, a Fazenda Santa Rosa, pouco mais de 15 dias após terem deixado pacificamente a área por determinação judicial. Estas famílias, segundo o MST, serão assentadas pelo Incra nas próximas semanas, na Santa Rosa.
Luiz Alonso Sales, coordenador do MST no Norte Pioneiro, informou que a área já foi desapropriada através de decreto assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo ministro da Reforma Agrária, Raul Jungman. No final de novembro os sem-terra saíram, cerca de quatro dias após a ocupação, respeitando a reintegração de posse emitida pela Justiça. Os advogados do MST entraram com contestação da medida judicial, alegando que havia um decreto desapropriando a área.
Resolvemos reocupar a fazenda porque a área está sendo consolidada em assentamento. Temos informações do Incra nacional e estadual que a área está praticamente negociada com o proprietário, assegurou Luiz Sales. Em novembro, o advogado Luiz Carlos Bellinetti, que defende o proprietário da Santa Rosa, Alcides Caminhoto, anunciou que entraria com ação contestando o valor da indenização do imóvel.
Sales disse ainda que as famílias não mexerão nos bens móveis da fazenda até que todo o processo de assentamento esteja concluído. Ontem à tarde, a Folha tentou falar com Luiz Carlos Bellinetti, mas não obteve retorno às ligações telefônicas.


