Fator financeiro não influenciou, diz Machado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de junho de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
A negativa do juiz João Luiz Clève Machado ao pedido de prisão preventiva de Ibrain Barbino gerou polêmica entre pessoas ligadas ao caso e entre juristas. O delegado Marcos Belinati reafirmou que acredita que o autor confesso do crime deveria responder ao inquérito preso. ''Não quero julgar a decisão (de Clève Machado), mas solicitei a prisão porque há indícios de que se trata de crime hediondo, que provocou grande comoção'', ponderou.
O advogado Luciano Teixeira Odebrecht, professor de direito da Universidade Norte do Paraná (Unopar), também opinou que Barbino deveria ser preso preventivamente. ''Por uma questão de moralidade da Justiça, para que não pareça que há dois pesos e duas medidas'', justificou.
Um dia antes do assassinato de Ciro Frare, outro crime teve grande repercussão na mídia em Londrina: o guincheiro Roberto Carlos Pereira, 36 anos, tentou matar a esposa, Maria Lúcia Bertola Pereira, 33 anos, e em seguida tentou o suicídio. Ele foi hospitalizado e quando recebeu alta foi levado para a carceragem de um distrito policial.
Odebrecht não quis estabelecer relações entre os dois fatos, mas afirmou que em geral no Brasil o poder econômico tem influência sobre a Justiça. ''O rico pode pagar um advogado que tem recursos para ir a Curitiba requisitar no Tribunal de Justiça (TJ) um habeas corpus. Quanto aos pobres, o Paraná não tem defensoria pública, já que em 1999 o governo estadual cortou o convênio com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)'', explicou.
''Para a pessoa que não tem como pagar um advogado, o juiz nomeia um dativo, que muitas vezes não vai se esforçar muito porque trabalha de graça, ou procura-se algum representante no Escritório Jurídico de alguma universidade. Neste último caso, se um pobre for preso no período de férias, os problemas são enormes.''
O advogado de Pereira, André Luiz Salvador, explicou que um leigo pode realmente pensar dessa forma, mas no âmbito do direito o entendimento é diferente. ''No caso do meu cliente, houve flagrante, ao contrário da ocorrência da Cipasa'', considerou ele.
Entrevistado pela Folha, o próprio Clève Machado admitiu que dinheiro influi na Justiça. ''Não vou tentar tapar o sol com a peneira e dizer que a Justiça é igual para todos, porque não é. O pobre não tem como pagar bons advogados.'' Ele alegou, entretanto, que no caso de Barbino o fator financeiro não teve influência. ''Se fosse considerar esse aspecto, ele (Barbino) estaria preso, porque matou alguém mais rico do que ele''.
Clève Machado afirmou também que não houve favorecimento algum a Barbino no fato dele ter procurado diretamente o juiz um dia após a ocorrência, ao invés de ter se apresentado a Belinati, e recebido prazo de cinco dias para fazer tratamento médico. ''O advogado e Barbino me procuraram porque sou a autoridade competente. O inquérito policial é um procedimento preliminar e provisório que é dispensável. Entre outros motivos, dei o prazo de cinco dias porque não havia nada contra ele (Barbino), nem o pedido de prisão preventiva''.


