A maior parte das 30 milhões de pessoas que comem em restaurantes ‘‘fast-food’’ diariamente em todo o mundo não sabe dos riscos que esse tipo de alimentação pode trazer à saúde. A opinião é da antropóloga da Universidade Federal de Santa Catarina, Carmen Rial, que participou ontem em Curitiba da 2ª Jornada Paranaense de Antropologia da Saúde.
A antropóloga pesquisou durante sete anos os fatores que atraem as pessoas aos restaurantes ‘‘fast-food’’. Ela entrevistou trabalhadores, clientes e publicitários do Brasil, Estados Unidos e Europa. Carmen Rial conta que, principalmente no Brasil, são poucas as pessoas que têm consciência que esse tipo de alimentação pode trazer problemas de saúde. ‘‘A publicidade que essas empresas fazem procura disfarçar os riscos, citando as proteínas, as vitaminas e as calorias que cada sanduíche contém’’, diz.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que 40% dos casos de câncer, por exemplo, poderiam ser evitados se as pessoas se alimentassem melhor. E uma alimentação saudável pede a redução de frituras e refrigerantes.
Para Carmen Rial o sucesso dos ‘‘fast-food’’ vem da imagem glamourizada que as pessoas fazem dos restaurantes: ‘‘elas sentem-se como se estivessem vivendo algo que já viram no cinema’’. A comida é secundária, o importante é o ambiente. Ela diz que as lanchonetes também representariam um local onde a família pode se reunir e onde ninguém vai reclamar se os filhos ficarem correndo de mesa em mesa. As crianças são também um público importante para as lanchonetes, tanto que a decoração é feita pensando nelas.
Carmen Rial diz que a alimentação moderna aumentou no Brasil a incidência de algumas doenças. Multiplicaram-se os casos de obesidade, que eram comuns nos Estados Unidos, e, no lado oposto, os de anorexia entre os homens.

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