Fast-food aumenta incidência de doenças
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de novembro de 2000
Ellen TabordaDe Curitiba 
A maior parte das 30 milhões de pessoas que comem em restaurantes fast-food diariamente em todo o mundo não sabe dos riscos que esse tipo de alimentação pode trazer à saúde. A opinião é da antropóloga da Universidade Federal de Santa Catarina, Carmen Rial, que participou ontem em Curitiba da 2ª Jornada Paranaense de Antropologia da Saúde.
A antropóloga pesquisou durante sete anos os fatores que atraem as pessoas aos restaurantes fast-food. Ela entrevistou trabalhadores, clientes e publicitários do Brasil, Estados Unidos e Europa. Carmen Rial conta que, principalmente no Brasil, são poucas as pessoas que têm consciência que esse tipo de alimentação pode trazer problemas de saúde. A publicidade que essas empresas fazem procura disfarçar os riscos, citando as proteínas, as vitaminas e as calorias que cada sanduíche contém, diz.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que 40% dos casos de câncer, por exemplo, poderiam ser evitados se as pessoas se alimentassem melhor. E uma alimentação saudável pede a redução de frituras e refrigerantes.
Para Carmen Rial o sucesso dos fast-food vem da imagem glamourizada que as pessoas fazem dos restaurantes: elas sentem-se como se estivessem vivendo algo que já viram no cinema. A comida é secundária, o importante é o ambiente. Ela diz que as lanchonetes também representariam um local onde a família pode se reunir e onde ninguém vai reclamar se os filhos ficarem correndo de mesa em mesa. As crianças são também um público importante para as lanchonetes, tanto que a decoração é feita pensando nelas.
Carmen Rial diz que a alimentação moderna aumentou no Brasil a incidência de algumas doenças. Multiplicaram-se os casos de obesidade, que eram comuns nos Estados Unidos, e, no lado oposto, os de anorexia entre os homens.


