O especialista em tabagismo Alcides Prante Júnior explica que cada fumante pode estar em fases de motivação diferentes, o que pode facilitar ou dificultar a decisão de largar o vício. O estágio mais complicado é o que ele chama de ‘‘pré-contemplação’’, quando o fumante nem pensa na possibilidade de deixar o cigarro. ‘‘Neste caso, o máximo que podemos fazer é dar um panfleto’’, aponta.
Já na fase de contemplação, o fumante sente prazer com o cigarro mas pensa - ou já tentou - largar o cigarro. ‘‘Estes estão mais suscetíveis para ser abordados’’, diz. Nestes casos, o profissional pode traçar um perfil da pessoa, indicando quais os horários do dia em que ela fuma mais e também quais os motivos dos fracassos anteriores quando tentou para de fumar. A partir daí, o trabalho é direcionado.
‘‘Quando tenta parar de fumar sozinho, muitas vezes o paciente depois recai para a fase de contemplação ou contemplação crônica, quando ele substitui a ação pelo pensamento’’, diz o médico. ‘‘É um ciclo. Mas ele pode aprender com as tentativas anteriores’’, aponta. O médico destaca que também é importante o envolvimento de uma rede de apoio, para ajudar a combater as crises de abstinência, que pode incluir família e amigos.
Prante Júnior salienta que, quando há necessidade de prescrever nicotina de reposição (adesiva ou em goma), é importante a participação do médico. Quadros mais complicados, que envolvam por exemplo problemas emocionais ou dependência com outras drogas, também podem requerer a interferência de médicos especialistas. (L.H.)

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