A paixão pela fotografia fez Messias Bezerra, 54 anos e há 21 anos trabalhando como lambe-lambe em Londrina, construir as próprias máquinas de fotografia. ‘‘Sempre tive desejo de aprender a tirar fotografia, até que comecei a trabalhar com uma máquina pequena. Quando troquei por outra maior, desmontei a máquina e vi como o negócio funcionava. Pouco tempo depois, estava fazendo melhor. Aqui mesmo no Calçadão, várias máquinas que o pessoal usa fui eu quem fiz’’, recorda.
Messias Bezerra nasceu em Águas Belas, no Estado do Pernambuco, e o pai também gostava de fazer fotografias. Em 1953, a família chegou ao Norte do Paraná para trabalhar nas lavouras da região. A vida de lambe-lambe começou em 1977, impulsionada sobretudo pelo fascínio causado pelas fotografias.
‘‘No começo foi muito bom e dava para a gente ganhar a vida. Hoje a gente está perdendo. E não é só nós. Ninguém é mais profissional, você compra uma máquina até em lojas de R$ 1,99’’, reclama.
Jovelino Rofino de Souza, 63 anos, também lambe-lambe no Calçadão, concorda com o colega. ‘‘É difícil porque parar não dá mais. Nem para rapaz moço tem serviço, imagine para uma pessoa de idade?’, aponta.
Jovelino é o segundo lambe-lambe mais antigo de Londrina que ainda está em atividade. Ele começou a trabalhar em 1962 exatamente no mesmo local: sob uma árvore ao lado da Catedral. Casado, cinco filhos e nove netos, diz que não teve dificuldades para sustentar a família. ‘‘Hoje é que ficou difícil.’
O lambe-lambe lembra que já tirou fotografia de gente de todo o tipo - desde os mais simples, curiosas e até famosas e sofisticadas. Um dos clientes do começo de carreira, ele recorda, era o ex-governador Álvaro Dias, que na década de 70 trabalhava numa emissora de rádio instalada próximo ao Calçadão.
Jovelino se diverte quando lembra das pessoas que chegavam até Londrina e nunca tinham antes tirado uma fotografia. Certa vez, ele diz, um rapaz chegou à praça, com cara de assustado, para fazer a foto. O lambe-lambe vestiu gravata e paletó no cliente e pediu que ficasse na cadeira. O cliente não teve dúvidas: deu um pulo e ficou em pé sobre a cadeira, esperando o clic de Jovelino.

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