Mesmo sendo rico em palavras criativas, o ''militarês'' é desconhecido pela maioria da população civil. Foi pensando nisso que o tenente da Companhia da Polícia de Choque de Curitiba, Marco Antonio da Silva, decidiu reunir mais de mil verbetes em um livro.
Apesar de bem humorado, o ''Dicionário de Termos, Expressões e Gírias Policiais Militares'', lançado há um mês pela Associação da Vila Militar (AVM-Curitiba), trata de alguns termos com seriedade, apresentando raízes latinas e gregas, termos jurídicos e até referências históricas de algumas palavras. ''Decidi reunir termos e gírias policiais pelo fato de não existir uma publicação que seguisse esta linha. Os termos usados entre amigos e familiares mostram que o policial pertence à comunidade, como qualquer cidadão'', explicou o tenente Marco, autor de outros dois livros envolvendo a Polícia Militar: ''Crônicas da Vida Policial'' (2001) e ''Prevenindo Crimes e Acidentes'' (2002).
O livro também é cheio de referências do Código Penal (como termo circunstanciado, flagrante delito, etc.), normas internas da PM (processo administrativo, regimento, sindicância) e palavras do cotidiano dos soldados (patrulhamento, guarita, caserna...). O termo ''Direitos Humanos'', por exemplo, chega a ocupar meia página do livro, resgatando fatos da História que marcaram o conceito de cidadania.
Algumas palavras são ricas em detalhes, como o verbete ''assassino'', que tem origem árabe (hashisshiyun), significando ''fumante de haxixe'' e se refere aos seguidores de Hassan al-Sabbad. ''Foi por interesse próprio que comecei a buscar as raízes históricas das palavras'', afirmou o policial, que também é formado em História.
A mesma abordagem histórica é usada para resumir dados sobre a Polícia Militar do Paraná. Entre outras curiosidades encontradas no livro está a Academia Policial de Guatupê, apontada como a maior da América Latina e que está sediada em uma área de 42 alqueires em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
As palavras mais curiosas, no entanto, são mesmo as gírias colhidas durante patrulhamento nas ruas, pesquisas em livros e, claro, em bate-papo com os amigos. Logo na apresentação do dicionário, Marco avisa que não pretendia ''esgotar as palavras'' em uma única edição. ''Ali estão concentrados muitos termos que usamos em Curitiba. Como as palavras variam em cada região, peço que enviem sugestões para ampliar o livro'', explicou o autor.
Os interessados pelo livro devem contactar a AVM (41-334 1803). Já aqueles que desejam colaborar com novas palavras, podem enviar e-mail para [email protected]

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