Farol aceso pode ser obrigatório
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sábado, 18 de fevereiro de 2012
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
Os motoristas podem ser obrigados a trafegar com o farol baixo aceso quando circularem pelas rodovias e por túneis. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) aprovou nesta semana um projeto de lei que inclui essa exigência no Código de Trânsito Brasileiro.
O projeto foi aprovado em decisão terminativa e se nenhum recurso for apresentado até a próxima semana, não precisará passar por votação no plenário do Senado e poderá seguir direto para votação na Câmara dos Deputados. Se for aprovado será encaminhado para sanção da presidente Dilma Roussef.
Uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito já recomenda a medida. No Brasil, esse procedimento é exigido no Estado do Rio Grande do Sul. Segundo estudos, o impacto do uso diurno de faróis baixos na diminuição de desastres automobilísticos começou a ser observado em países nórdicos na década de 1970.
De acordo com o comandante da 2 Companhia da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), capitão Gustavo Hauenstein, a medida aumentará a segurança. ''Com o farol aceso o outro motorista pode perceber que há um veículo de maneira mais rápida e ajuda na prevenção a acidentes'', salienta.
Capitão Gustavo afirma que não há perigo de ofuscamento dos motoristas se os faróis estiverem bem regulados. Questionado se esse tipo de medida surtirá efeito e terá aceitação dos motoristas, ele explica que antes de ser adotada provavelmente haverá uma campanha de divulgação para orientar os motoristas. antes de começar a notificar os que não estiverem de acordo com a lei.
O comandante da 2 Cia. acredita que o processo de aceitação será o mesmo que o dos assentos especiais para crianças. ''No começo as pessoas reclamaram da exigência das cadeirinhas, mas depois entenderam e viram que era necessário para diminuir o trauma nos acidentes e hoje todos utilizam o acessório'', relata o capitão, ressaltando que é muito raro fazer uma autuação pela falta do assento para crianças.
Alerta
A FOLHA ouviu a opinião de alguns motoristas sobre o projeto. O taxista José Veiga afirma que a medida não surtiria o efeito desejado. Ele sustenta que o que diminui os acidentes é o aumento do nível de exigência dos testes para tirar a carteira nacional de habilitação (CNH). ''Hoje eles dão a carteira sem exigir do motorista o nível de habilidade que exigiam na minha época'', afirma Veiga, que dirige há 40 anos.
O administrador de empresas Dimas Souza Costa e o advogado José Eduardo Moreno argumentam que as condições de luminosidade na Europa, onde a medida foi implantada com reduções de risco de até 15%, é diferente do Brasil, onde o sol permite uma visibilidade melhor. Eles afirmam que durante o dia mal dá para perceber que o farol está aceso.
A produtora cultural Cely Norder, por sua vez, acha a medida maravilhosa e já circula com os faróis de seu carro acesos. Ela conta que já houve uma situação em que não enxergou um carro durante o dia e que se ele estivesse com o farol aceso ficaria bem mais perceptível. ''Com o farol aceso você fica mais atento, pois é como se fosse a seta do carro, que torna o veículo mais visível quando acionada'', explica. (Com Folhapress)


