Farmácias vendem sem prescrição
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terça-feira, 16 de dezembro de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
Albari RosaPara Fernando Kosteski, da Adoc, a solução passa pelo aperfeiçoamento dos órgãos fiscalizadores e principalmente pela conscientização dos consumidores, acostumados a comprar remédios por conta própriaUma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) comprovou o que consumidores e autoridades brasileiras já sabem: é muito fácil comprar remédios sem receita nas farmácias do País, mesmo quando eles têm a tarja vermelha que indica a obrigadoriedade de prescrição médica. Pesquisadores do Idec foram a 100 farmácias em 10 cidades, para pedir dois medicamentos com tarja vermelha, num total de 200 visitas. Na quase totalidade das vezes (193), conseguiram comprar sem receita.
Em apenas um caso - numa farmácia de Florianópolis (SC) - a farmacêutica se recusou, nas duas visitas, a vender os produtos sem receita.
A pesquisa foi feita entre julho e setembro, em Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Londrina, Florianópolis, Fortaleza, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Os pesquisadores foram duas vezes a cada farmácia.
Na primeira, pediram Amoxil, um antibiótico bastante usado no combate a infecções respiratórias, contra-indicado para pessoas sensíveis à penicilina e a mães que amamentam. O outro remédio é o Adalat Retard, um antihipertensivo contra-indicado para pessoas com crises de baixa pressão arterial.
Curitiba apresentou destaque pelo fato de que havia farmacêuticos presentes em 80% das 20 visitas feitas a 10 farmácias. O índice superou a média nacional (47%) e ficou bem acima, por exemplo, de Salvador, onde havia farmacêutico em 15%.
Mas, no que diz respeito à venda de remédios sem receita, a situação é tão preocupante quanto a de outras cidades: os pesquisadores compraram os dois medicamentos sem receita nas dez farmácias visitadas. Na maioria das vezes, vendemos porque a pessoa já está acostumada a tomar o medicamento, receitado pelo médico na primeira vez, confirma Lourdes da Silva Alves, farmacêutica responsável de um dos estabelecimentos. Diante da pergunta sobre como os balconistas sabem que a pessoa já está acostumada, ela respondeu: A gente deduz.
Em Londrina, os pesquisadores compraram sem receita em 19 das 20 visitas. Em uma, foi vendido um antiinflamatório no lugar do antibiótico.
Supermercados- As farmácias ganharam a briga contra os supermercados, que já tinham conseguido, através de liminar, autorização para venda de medicamentos. O juiz Novély Vilanova da Silva Reis cassou esta semana a liminar e os supermercados estão proibidos de vender remédios.


