Farmácias vendem remédios proibidos
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terça-feira, 03 de dezembro de 1996
Da Sucursal 
Farmácias de Curitiba estão vendendo normalmente medicamentos à base de clormezanona, substância cuja comercialização está proibida desde 6 de novembro pelo Ministério da Saúde (MS). A proibição é baseada num documento editado em outubro pela Organização Mundial da Saúde (OMS), depois que oito pessoas morreram em consequência de doenças associadas ao uso da clormezanona - sedativo usado em casos de ansiedade e tensão e que auxilia no tratamento de dor muscular e enxaqueca.
No Brasil, os produtos mais conhecidos à base de clormezanona são Beserol, Besaprin, Novalgina Relax e Gesilax. A venda e distribuição desses medicamentos está interditada cauterlarmente pela portaria 173 do MS. A Agência Francesa de Medicamentos já havia tomado a mesma medida, atendendo ao Alerta 53 da OMS.
O alerta relata que o uso da clormezanona é responsável pelo aparecimento de vários casos de reações cutâneas, entre elas a Síndrome de Stevens-Johnson, forma grave de eritema polimórfico bolhoso (vermelhidão acompanhada de bolhas). Segundo a coordenadora do Centro de Informações de Medicamentos do Conselho Regional de Farmácia do Paraná, Mara Rúbia Sartori, a evolução dessa doença é fatal em 25% dos casos.
Além das oito mortes associadas à clormezanona, o documento da OMS relata três casos de pessoas que ficaram com graves sequelas e outros 15 casos de reações alérgicas.
Apesar da proibição, a reportagem da Folha comprou Beserol e Besaprin em várias farmácias ontem. Medicamentos de venda liberada antes da portaria, eles são encontraddos em envelopes com quatro compridos, que custam entre R$ 0,40 e R$ 0,70. Continuamos vendendo porque não recebemos qualquer comunicação, disse Marcos Matos, dono da farmácia Anafarma, no Bacacheri.
As filiais das redes Minerva e Drogamed no mesmo bairro também mantêm Beserol ou Besaprin nas prateleiras. O departamento de Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual da Saúde informou que no dia 18 de novembro emitiu ofício para as regionais de saúde determinando a interdição dos produtos. Mas a Secretaria Municipal de Saúde informa que só tomou conhecimento da portaria quinta-feira, iniciando a fiscalização ontem.


