Farmácias de partilha fazem doações
Uma adesão maior ao decreto federal que prevê a venda de medicamentos fracionados poderia contribuir para que menos consumidores criassem em casa as chamadas "farmacinhas domiciliares". Além do risco da automedicação, o membro do Conselho Regional de Farmácia do Paraná (CRF-PR), Rafael Bayouth Padial, comenta que ainda faltam informações para a população sobre o que fazer com as sobras desses medicamentos. Também não há orientação suficiente sobre o descarte correto de xaropes, pomadas ou comprimidos que já passaram do prazo de validade.
"Tem gente que joga em vaso sanitário, pia. O certo é levar para farmácias que fazem um trabalho de captação para descarte correto", ensina. Os remédios que não estão mais em uso também devem ter esSe mesmo fim, ainda que não tenham alcançado o prazo de validade. "Não é permitida a doação pelas farmácias comuns. Não temos como garantir a qualidade do medicamento, já que não se sabe em que condições foi mantido", explica.
Mesmo nas chamadas "farmácias de partilha", onde a doação de medicamentos não vencidos é permitida, a prática não costuma ocorrer com frequência. "É muito difícil doarmos sobra, só se estiver com a caixinha num estado muito bom. Tem todo um controle da Vigilância Sanitária sobre o armazenamento", assinala a farmacêutica Maiara Gazoli, da Farmácia da Partilha criada pela Paróquia São José e a Faculdades Ponta Grossa, em Ponta Grossa (Campos Gerais).
A unidade é mantida pelas duas entidades e oferece medicamentos gratuitos à comunidade. Os usuários devem ter renda de até dois salários mínimos e apresentar receita médica para retirar os remédios. Cerca de mil pessoas passam pelo estabelecimento por mês. "A maioria são idosos em busca de anti-inflamatórios, anti-hipertensivos e antiasmáticos", relata Maiara.
Todos os medicamentos distribuídos são doações intactas de amostras recebidas de médicos, representantes de laboratórios e hospitais. A unidade também faz a captação de medicamentos vencidos e em desuso. O material é encaminhado a uma empresa especializada no descarte de medicamentos. O CRF estima que existam no Estado apenas seis farmácias de partilha, nenhuma em Londrina. (A.L.)





