Farmácia sofre com ''barbeiros''
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de agosto de 2002
Alexandre Palmar<BR>Equipe da Folha 
O ditado popular ''um é pouco, dois é bom, três é demais'' está longe de ser usado pelo empresário José Alves, dono de uma farmácia no centro de Foz do Iguaçu. Por causa da imprudência de alguns motoristas, ele tem acumulado vários sustos e prejuízos financeiros nos últimos meses.
O episódio mais recente contra seu estabelecimento repetiu o formato dos três anteriores. Um homem dirige automóvel em alta velocidade, ''fura'' o semáforo e bate em outro veículo que estava no sentido transversal, jogando-o na farmácia da esquina.
A primeira batida não causou muito espanto no empresário, afinal ela teve pouca gravidade. ''Foi culpa do destino ou de uma pane no sinaleiro'', comentou ao balconista. O segundo choque, ocorrido quatro meses depois, foi ''a repetição de um acidente casual''.
O comportamento dele mudou quando um terceiro carro foi arremessado em direção à farmácia e parou, de rodas para cima, a menos de dois metros do balcão e dos funcionários. ''Nem no cinema vemos cenas tão absurdas'', reclamou aos órgãos de trânsito e aos motoristas envolvidos no fato.
A resposta do empresário às seguidas colisões foi a colocação de grossas barras de ferro, de quase um metro de altura, em toda a esquina. A medida tornou o visual pouco atrativo, porém era justificável em nome da segurança de quem frequenta o local.
Quando pensava estar protegido, José presenciou uma tragédia no trânsito. Um carro bateu num ônibus, que ''ignorou'' as barras de ferro e invadiu a farmácia em plena madrugada. O saldo: uma pessoa morta, oito passageiros do coletivo feridos e muita destruição do imóvel.
Desta vez, as justificativas deram lugar a revolta. A culpa até pode ser de um dos motoristas, de uma falha mecânica ou de um defeito do sinaleiro. Pouco importa. ''Só me resta lamentar a morte de um inocente e celebrar a estupidez humana, contra a qual não há remédios''.


