Imagem ilustrativa da imagem Farmácia Escola da UEL: serviços para a comunidade
| Foto: Gina Mardones - Grupo Folha

"Queremos preparar os estudantes para o melhor cuidado com os pacientes e dar assistência em saúde para a comunidade”, afirma o diretor Edmarlon Girotto

Quem precisa tirar dúvidas sobre medicamentos, especialmente aqueles que fazem uso contínuo, podem procurar os serviços da Farmácia Escola da UEL (Universidade Estadual de Londrina). A estrutura funciona no campus universitário, de segunda a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Nesta semana, até o dia 10 de maio, também estão sendo realizados testes gratuitos de glicemia diariamente - geralmente este serviço é ofertado apenas às quartas-feiras.

O diretor da Farmácia Escola e docente da UEL, Edmarlon Girotto, diz que a intensificação desses serviços faz parte do Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, fixado em 5 de maio. “Os remédios podem se tornar substâncias maléficas se tomados de forma errada. Podemos ter desde casos de intoxicação até morte. Um público de atenção são aqueles que têm doença crônica, pois podem ter complicações, como problemas renais, de visão, entre outros”, ressalta.

PESQUISA

Para investigar o comportamento dos brasileiros em relação ao uso de medicamentos, o CFF (Conselho Federal de Farmácia) realizou uma pesquisa inédita no mês de março, que mostra que a automedicação é um hábito comum a 77% dos brasileiros entrevistados que fizeram uso de medicamentos nos últimos seis meses.

Do total, quase metade (47%) se automedica pelo menos uma vez por mês e 25% o faz todo dia ou pelo menos uma vez por semana. A pesquisa foi feita pelo Instituto Datafolha e contou com a participação de 2.074 pessoas a partir de 16 anos e de todas as regiões do País.

O levantamento constatou que os medicamentos mais utilizados são analgésicos e antitérmicos (50%), seguidos de antibióticos (42%) e relaxantes musculares (24%). A análise também apontou que 57% dos entrevistados, especialmente homens entre 16 e 24 anos, não usam o medicamento conforme orientado, alterando a dose receitada pelo profissional da saúde.

Outro ponto é que 22% das pessoas que utilizaram medicamentos nos últimos seis meses tiveram dúvidas em relação à dose e até de contraindicação contida na bula. Porém, o fato preocupante é que um terço dos entrevistados não procurou esclarecer as dúvidas.

É nesse contexto que a Farmácia Escola exerce um papel fundamental para toda a comunidade. Girotto comenta que, além de ser um campo de experiência para os alunos do curso de farmácia, o objetivo é fornecer orientações que possam fazer com que o paciente tenha um autocuidado melhor. “Não visamos lucro. Queremos preparar os estudantes para o melhor cuidado com os pacientes e dar assistência em saúde para a comunidade”, afirma.

CONVÊNIO COM PREFEITURA

Por dia, a Farmácia Escola realiza cerca de 40 atendimentos, especialmente para a comunidade interna, como servidores e estudantes. Os servidores da UEL podem comprar com débito em folha e há descontos de até 40% em todos os genéricos para todos os consumidores.

A Farmácia Escola funciona de forma isolada, mas a ideia ao longo do ano, segundo Girotto, é articular com outros serviços da UEL direcionados à comunidade. Ele adianta que um convênio está sendo firmado com a Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal de Saúde.

“A proposta é disponibilizarmos medicamentos que são ofertados nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde). A expectativa é que até o início do segundo semestre, muitas pessoas que moram nas proximidades da UEL possam retirar esses medicamentos aqui”.

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| Foto: Folha Arte

ANOS FECHADOS

A Farmácia Escola da UEL foi fundada em 1985 para dar oportunidade aos alunos de vivenciarem o atendimento à população, porém, o local teve que fechar as portas entre os anos 2006 e 2013. O atual diretor do espaço, Edmarlon Girotto, conta que a interrupção se deu pela vigência na época, de novas regras sanitárias para o funcionamento de uma farmácia.

“Conseguimos retornar às atividades somente em abril de 2013, com uma nova estrutura”, diz. Antes dessa data, os atendimentos eram realizados em um setor próximo à biblioteca do campus. Atualmente, há dois farmacêuticos para atendimento e quatro docentes para a supervisão de 20 alunos.

O laboratório de medicamentos da universidade, instalado às margens da avenida Tiradentes, próximo ao parque de Exposições Ney Braga (zona oeste), também deixou a produzir medicamentos para a comunidade há 15 anos, em função de regras sanitárias. Hoje, o local funciona apenas para prática de aulas de graduação e pós-graduação.

DESAFIOS

Girotto destaca que manter a Farmácia Escola não é tarefa fácil. “Esse corte que está impactando as universidades federais agora já é enfrentada pela UEL há cinco anos. Mas, apesar dos tempos difíceis em relação à falta de servidores e de recursos, seguimos na tentativa de manter um serviço importante para o curso e para a comunidade”, desabafa.

No momento, o grande desafio que ele cita é a implantação do serviço de manipulados. “Seria um outro campo de estágio para os alunos e nos possibilitaria também fazer convênios com outros serviços públicos oferecendo qualidade e preço acessível. Mas as regras sanitárias são rígidas e dependemos muito de recursos financeiro e humano”, pontua.

Serviço: A Farmácia Escola fica no campus da UEL, ao lado da COU (Clínica Odontológica Universitária). Mais informações pelo fone: (43) 3371-5611

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