O ar de cansaço e preocupação predomina nos semblantes. Quase sempre, quem desce a rampa que liga a calçada ao grande salão da Paróquia Sagrados Corações (Área Central de Londrina), vem de uma peregrinação por Unidades Básicas de Saúde ou mesmo outras igrejas. Ali está instalada a farmácia da igreja, um pequeno cômodo com prateleiras ocupadas por caixas de remédio, que abriga a esperança de tratamento para dezenas de pessoas que são atendidas diariamente.
A farmácia foi montada há cerca de três anos, com o objetivo de atender a comunidade carente. No começo, eram dois, três atendimentos por dia. Hoje são até 70 pessoas em busca de medicamentos que não teriam condições de comprar. O farmacêutico aposentado Jorge Chiromatzo começou a trabalhar como voluntário na farmácia há quase dois anos, dedicando-se, a princípio, duas horas em apenas dois dias da semana. Hoje em dia passa o dia todo, de segunda a sexta-feira, lendo receitas, entregando remédios ou encaminhando as pessoas para locais onde há chances do medicamento ser encontrado.
''A demanda vem aumentando muito, precisamos de mais doações de amostras grátis. Pode ser qualquer tipo de remédio, porque aqui aparece todo tipo de caso'', diz Chiromatzo, que passou 49 anos de sua vida atrás de um balcão de farmácia. Segundo o coordenador da Pastoral da Saúde da paróquia, Antonio Roberto Dores Leite, os principais colaboradores do projeto são médicos e representantes de laboratórios.
''Há também um grupo de voluntários, de aproximadamente 40 pessoas, que nos socorrem com quantias em dinheiro nos momentos de urgência. Quando aparece uma receita de extrema necessidade recorremos a estas pessoas, que chamo de 'sentinelas voluntários da saúde'', completa Chiromatzo. Outros colaboradores são as farmácias da cidade, que vendem medicamentos com descontos, e os próprios paroquianos. O projeto também conta com a ajuda voluntária de outras duas farmacêuticas e uma integrante da Pastoral da Saúde.
''Não sei o que ia fazer se não tivesse conseguido estes remédios aqui. Não tenho condições de comprar'', afirmou o pedreiro desempregado José Alves de Macedo, de Cambé (13 km a Oeste de Londrina), logo depois de conseguir a maioria dos medicamentos indicados pelo médico, ontem à tarde.
Já o tapeceiro Nivaldo Soares foi à igreja em busca de remédios para a mãe, que tem vários problemas de saúde e conta apenas com a pensão do marido, de R$ 260,00, para sobreviver. ''Eu estou sem trabalho, por isso estou tentando conseguir os remédios para ela. Este é o terceiro lugar que venho. Lá no posto do João Paes (Zona Norte) eles consultam mas não dão o remédio.''

Serviço Os interessados em colaborar com a farmácia podem entrar em contato pelo fone (43) 3329-7064 ou 9995-2033, ou ainda diretamente na igreja, localizada na Avenida JK, esquina com Rua Mato Grosso.

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