Farmácia da UEM distribui remédios
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quinta-feira, 11 de março de 1999
Marccio W. Varella 
A Universidade Estadual de Maringá tem uma farmácia que distribui medicamentos gratuitos para pessoas carentes. A farmácia existe há três anos e as únicas exigências feitas aos necessitados são a receita médica e o limite de renda de até três salários mínimos. Todos os remédios que lotam as três prateleiras da farmácia do campus da UEM de Maringá são amostras grátis enviadas por médicos da cidade.
Aqui não mexemos com dinheiro, diz a coordenadora da Farmácia Co-Participativa e professora do Departamento de Farmácia e Farmacologia Dirce Vendranetto Hubner, 49 anos. O projeto nasceu em 1996, com um convênio entre a UEM e uma paróquia da cidade. Durante dois anos, a farmácia redistribuiu remédios para a Igreja, que os doava aos fiéis. Há um ano abrimos a farmácia ao público porque sentimos que os mais carentes não tinham realmente como comprar remédios, afirmou Dirce.
Junto com a também professora do curso de farmácia Ângela Maria Campanha, 32 anos, Dirce coordena o trabalho dos 57 alunos que organizam as prateleiras, separam os remédios por ordem alfabética e avaliam os medicamentos, jogando fora os que estiverem vencidos.
Antes de ir a farmácia, a pessoa que deseja o medicamento passa por avaliação de uma assistente social da UEM. Liberada, a farmácia faz uma ficha da pessoa, que é acompanhada de perto pelos alunos. Eles vão à casa da pessoa ver se realmente ela está tomando o remédio e fazem um levantamento da situação familiar, explica Dirce. Por dia, a farmácia atende cerca de 30 pessoas carentes.
Apesar da boa vontade e rapidez no atendimento, Dirce faz um apelo aos médicos, vereadores e autoridades responsáveis pela área de saúde do município: Nós precisamos de mais remédios, de muito mais, principalmente dos de uso contínuo. A maioria dos que nos procuram aqui é gente aposentada com problemas de hipertensão e cardíaca. Esses remédios nós não os temos todos, somente alguns, e hoje em dia quem recebe R$ 130,00 mensais de aposentadoria não tem nem o que comer, imagine para comprar remédios.
Segundo ela, os médicos recebem amostras grátis dos distribuidores mas o que eles nos repassam, de graça, são medicamentos mais ou menos comuns, pois os mais caros, é óbvio, eles dão para seus pacientes.


