O uso de plantas em tratamentos médicos ganha mais espaço a partir deste final de semana em Ponta Grossa. No sábado a prefeitura lança o programa ''Fitoterapia Municipal''. Inicialmente, os postos que trabalham dentro do projeto Saúde da Família estarão colocando à disposição dos pacientes a camomila, que vai auxiliar no tratamento de doenças estomacais. ''A camomila ainda não substituirá nenhum medicamento industrializado, mas será uma auxiliar nos tratamentos'', explica o diretor de Saúde Comunitária, Valmir de Santi.
A produção de camomila alcançada até agora é suficiente para atender 3 mil pessoas e a intenção da Secretaria de Agricultura, parceira no projeto, é alcançar a marca de 20 mil pacotes de 20 gramas por ano.
Além de ajudar na saúde, o projeto deve melhorar a renda de pequenos produtores da cidade. Eles serão convidados a participar, produzindo além da camomila a espinheira santa, próxima planta a ser incluída na lista de medicamentos básicos do município.
O lançamento do projeto acontece no próximo sábado, no grande auditório da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). No mesmo evento será fundada a Sociedade Paranaense de Plantas Medicinais. A professora Rosi Zanoni da Silva, da universidade, explica que dessa sociedade poderão participar não só profissionais da área, mas todos os adeptos e interessados em fitoterapia.
A UEPG trabalha com a técnica há vários anos e já produz em escala industrial uma pomada cicatrizante a base de confrei. Rosi diz que a fitoterapia pode ser até mais eficiente que os remédios industrializados em alguns casos. Como exemplo, ela cita a espinheira santa, usada no tratamento de úlceras. ''Os componentes ativos da espinheira santa, uma espécie nativa da Região Sul do Brasil, são mais eficientes para a úlcera do estômago do que a ranitidina, sal que compõe a maioria dos remédios industrializados'', diz a professora.
Outra exemplo é a Serenoa repens, usada no tratamento da hiperplasia benigna de próstata. A doença provoca o alargamento da próstata, e se não for tratada pode se transformar em câncer. Pesquisas revelam que 70% dos homens com mais de 50 anos sofrem dessa doença. O remédio industrializado indicado para o tratamento, o Proscar, é bastante eficiente. ''O problema é que como efeito colateral ele provoca a impotência e acentua as características femininas no homem'', diz a professora. Já o remédio fitoterápico também é eficiente no controle da doença, sem produzir os efeitos colaterais.
O projeto ''Fitoterapia Municipal de Ponta Grossa'' está sendo inspirado no Verde Saúde, desenvolvido pela prefeitura de Curitiba desde o início da década de 90. Só no ano passado, na capital, foram distribuídos 350 mil medicamentos fitoterápicos em 83 unidades de saúde.
Segundo o coordenador do programa, Carlos Graça, a aceitação ao tratamento fitoterápico tem feito a demanda aumentar e a produção em larga escala passa a ser agora o maior desafio do projeto. Além da prescrição nas unidades de saúde, a prefeitura tem um programa de estímulo da formação de canteiros fitoterápicos nas comunidades. ''O que a prefeitura fez foi assumir a responsabilidade da cultura popular e passar essa informação de forma organizada'', comenta.
Além dos tradicionais chás, a prefeitura fornece aos pacientes, medicamentos manipulados, produzidos em parcerias com universidades, como gel de babosa e calêndula, xarope de guaco, elixir de passiflora (maracujá) e a pomada de confrei, produzida em Ponta Grossa. (DA)

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