Fantasmas habitam prédios da cidade
Israel Reinstein
Não é só a falta de dinheiro que assombra a Secretaria de Estado da Educação. Depois das 22 horas, os servidores encarregados da vigilância e limpeza às vezes se deparam com assombrações, que transitam pelos corredores da sede, em Curitiba.
No prédio da secretaria, que antes abrigou um colégio interno de freiras, funcionários já enfrentaram situações estranhas, com portas e cortinas se abrindo, sem que alguém tenha sido responsável. Teve até porteiro, que se escondeu na portaria de medo de fantasma, conta o caseiro da secretaria, Ismael Furquim, que vive no local há 24 anos.
Furquim acredita que os fantasmas sejam das freiras, que viveram no local até 1975, quando o governo comprou o prédio. A maioria das aparições ocorreram entre o primeiro e segundo andar, perto do local onde estavam os quartos em que elas dormiam, conta o caseiro. Na mesma região, existia uma igreja, que foi demolida para dar espaços à sala da secretaria. Parece que elas não gostaram, afirma Furquim.
Isso faz sentido, porque uma das razões da presença das assombrações é o apego ao espaço físico, explica a parapsicóloga Cláudia Abramczuk, do Centro de Pesquisa de Fenômenos Espirituais e Parapsicológico da Faculdades Integradas Espíritas. De acordo com ela, são comuns as ocorrência em hospitais, teatros, prisões e outros locais com grande carga emocional.
Um exemplo é o prédio do Ministério Público, que hoje está em reforma. Nesse local, algumas assombrações foram vistas circulando pelos corredores, durante a década de 70. Um promotor aposentado, que prefere não se identificar, conta que nesse local havia uma cadeia. Existe uma lenda de que ali morreram alguns criminosos, diz. Por isso, no prédio, que abrigou os assassinos da Maria Bueno, fantasmas andavam no meio da noite, fazendo barulhos e pregando sustos nos incautos, como o promotor.
Também o barão Cerro Azul andou pregando peça no prédio da Associação Comercial do Paraná. Muito antes da reforma, que mudou a fachada do prédio, uma secretária viu o nobre assassinado caminhando perto do gabinente da presidência. O barão estava vestido de capote e andava vigiando o local.
Já no prédio central da Universidade Federal do Paraná, na Praça Santos Andrade, os vigias temem encontrar outros encapuzados no setor de Direito. Durante à noite, um quadro antigo se movimentaria, provocando um forte barulho, parecido com o de uma queda.
Um barulho de passos me assustou, conta o zelador do prédio do Museu David Carneiro, Heitor Grascer da Silva. Silva, que trabalhou por mais de 20 anos com o fundador do local, conta que já teve um contato do além com seu ex-patrão. As pessoas não acreditam, mas é verdade o que eu digo, afirma.Eles estão na Secretaria da Educação, no Museu David Carneiro, na UFPR, na Associação Comercial e em outros lugares
Mauro FrassonMauro FrassonEspectroAcima, o caseiro da Secretaria da Educação, Ismael Furquim, que convive com freiras fantasmas. Ao lado, grupo de caça-fantasmas formado por parapsicólogas





