Linda e loira. Clichê à parte, é assim que pode ser definida Miss Travesti Londrina 2003, que atende pelo nome de Jéssica Matarazzo. O concurso ocorreu no último sábado à noite, na Vila Yara (zona leste de Londrina) e foi acompanhado por 400 pessoas, de acordo com a organização no caso, os integrantes da Ong Adé-Fidan Casa de Vivência Saara Santana. E como em todo concurso de miss, glamour, ansiedade e torcidas organizadas deram o tom da festa que reuniu na passarela seis candidatas ao título de travesti mais bonito de Londrina.
As candidatas desfilaram em trajes ''fantasia'' e ''gala''. No primeiro quesito, Jéssica Matarazzo encarnou a Feiticeira, ex-alter ego da modelo Joana Prado, e arrancou aplausos e assovios. Pudera: ela mostrou o belo corpo moldado a hormônios, num processo que começou em 1998 quando decidiu assumir de vez com direito a seios e tudo o mais sua porção mulher que até então se resguardara.
Além da beleza, Jéssica Matarazzo, 22 anos, também demonstrou ser bem articulada, uma façanha rara em algumas misses, tradicionais ou não. ''Esse concurso é muito bom para abrir a mente das pessoas. Quem veio nos prestigiar, gostou e isso é o que importa'', disse Jéssica, minutos após receber a coroa de Miss Travesti 2003. A mãe, segundo ela, é quem vai ficar orgulhosa. ''Ela está viajando, não pôde vir. Mas tenho certeza que ficará feliz porque sempre aceitou um filho travesti, aliás o travesti mais bonito de Londrina'', analisou Jéssica, cujo verdadeiro nome é Weber Claiton. Como prêmio, Jéssica levou para casa um celular habilitado.
Uma coincidência também marcou a noite. Natacha Rios, igualmente bela e também com 22 anos, conquistou o segundo lugar o mesmo da edição do ano passado. ''Eu vim para competir e estou contente com a colocação. O importante mesmo é o evento que ajuda a dar visibilidade. Sei que há preconceitos, mas se eu for ligar para o que falam de mim eu não vivo'', analisou Natacha, toda sorridente ao lado de Lucas, com que está casada há 1,2 ano. Além da faixa, ela ganhou também um relógio de pulso.
O concurso Miss Travesti Londrina 2003 foi organizado pela Adé-Fidan, Casa de Vivência Saara Santana que trabalha com prevenção de DST/HIV e hepatites B e C, cujo público-alvo são principalmente ®MDBO¯®MDNM¯travestis, gays e garotos de programa. A organização não-governamental é financiada pelo Ministério da Saúde em parceria com a Unesco, Programa das Nações Unidas para Controle Internacional de Drogas e Prefeitura de Londrina. ''Esse concurso já consta no calendário oficial do Adé-Fidan e está se tornando tradicional em Londrina'', diz Edison Bezerra, coordenador-geral da Adé-Fidan.
De acordo com ele, a edição do próximo ano já está confirmada e mais uma vez será realizada ao ar livre. ''Será na rua porque tivemos uma boa repectividade das pessoas, em especial da comunidade da Vila Yara'', destaca Bezerra. A Adé-Fidan foi fundada em 20 de abril de 2000. Desde então, vem promovendo um trabalho reconhecido nacionalmente pela inserção social e consequente resgate da auto-estima de travestis. Ou seja, na contramão do preconceito a Adé-Fidan vem cada vez mais provando que dignidade não tem sexo definido.
- Mais informações sobre os projetos desenvolvidos pela ONG Adé-Fidan podem ser obtidas no seguinte endereço: Rua Tangará, 76, Vila Yara, zona leste de Londrina. Ou pelo telefone (43) 3326-9537, 3326-0645 e 3336-4684.

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