Fani é recebida com protestos
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terça-feira, 23 de março de 1999
Sid Sauer 
A secretária de Estado da Criança e Assuntos da Família, Fani Lerner, foi supreendida anteontem, no final da tarde, ao participar da solenidade de reinauguração do Centro Social Urbano de Campo Mourão. Em vez das tradicionais faixas de boas-vindas, ela foi recebida com faixas e cartazes de alunos e professores da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão (Fecilcam), com críticas ao programa de autonomia para o ensino superior, assinado pelo governador Jaime Lerner (FPL) e instituições estaduais de ensino superior na semana passada.
Cerca de 80 alunos e pelo menos 10 professores participaram do manifesto. Eles acusam a proposta de ser o início da privatização do ensino de terceiro grau no Estado. Os estudantes, que já chegaram a fechar uma rodovia no início do mês, também reclamam contra a falta de professores na instituição, que está comprometendo, principalmente, os novos cursos de engenharia agroindustrial e matemática.
Apesar das faixas e da distribuição de um panfleto onde o governador Jaime Lerner aparece num rolo compressor passando sobre a Fecilcam, o protesto foi calmo. Os estudantes se mantiveram calados durante todo o tempo. O presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Carlos Rogério Ferreira, chegou a entregar a Fani um ofício endereçado ao governador. Não somos contra a autonomia, mas as faculdades públicas precisam ter condições de se manterem sem cobrar mensalidades.
O pronunciamento da secretária desagradou aos alunos. Ela disse que a prioridade do Estado é o atendimento às crianças e que os jovens podem trabalhar para pagar uma universidade.
Até o prefeito Tauillo Tezelli (PPS) lamentou, em discurso, que nem todas as secretarias de Estado dão a atenção que Campo Mourão merece. Ele reclamou, por exemplo, da demora na contratação de professores para a Fecilcam e dos poucos recursos destinados pela Secretraria de Tecnologia e Ensino Superior para a instituição.
A diretora da Fecilcam, Sinclair Pozza Casemiro, também é contra a proposta de autonomia. Ela diz que só assinou o projeto porque, caso contrário, a Fecilcam correria o risco de sofrer uma intervenção e se tornar a primeira a ser privatizada. Segundo ela, os R$ 1,8 milhão que estão previstos para a Fecilcam este ano não bancam nem a folha de pagamento, que vai consumir R$ 1,9 milhão em 99.


