Fanfarras revelam jovens músicos
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
''É um orgulho fazer parte da fanfarra, porque eu tenho a chance de representar e dar mais mais visibilidade ao meu colégio, que é o mais antigo da cidade.'' O mesmo sentimento da aluna do 6º ano, Karen Gabriela de Souza, 10 anos, é o que parece mover dezenas de alunos do Colégio Estadual Hugo Simas, de Londrina, sobre a participação na fanfarra da escola. Após anos sem se apresentar, a instituição de ensino figura com um dos exemplos de colégios estaduais de Londrina que voltam a se preparar para encantar o público e resgatar o sentimento de patriotismo durante os desfiles cívicos.
Uma grande responsabilidade para os 60 integrantes da banda, formada por alunos, pais e professores. Desde março do ano passado, o grupo reúne-se todas as terças-feiras, além de alguns sábados ou domingos, durante uma hora, para relembrar o aprendizado, corrigir detalhes e garantir a mesma sintonia entre os membros do grupo para as apresentações do dia 7 de setembro.
De acordo com o diretor geral Fernando Munhoz, a ideia de retomar a banda surgiu no início do ano passado, quando a coordenação da escola percebeu que a atividade serviria como um valioso instrumento para trabalhar lições de civismo e complementos educacionais, além da música.
''Muitos alunos nem sabiam o que era uma fanfarra. Aproveitamos os ensaios para aplicar conteúdo de história e ensinar um pouco de música'', lembra Munhoz. ''Após alguns meses de trabalho, o resultado já passou a ser sentido pelos professores, que relataram perceber os alunos mais disciplinados e ao mesmo tempo mais motivados para a aprendizagem.''
Munhoz detalha que a maioria dos alunos nunca havia tido contato com música antes de integrarem a fanfarra e agora já demonstram total intimidade com os instrumentos. É o caso do aluno do 6º ano, Murilo Sgarioni, que toca o repique. ''Eu gosto do som que ele produz. Acho que é um dos que mais se destaca'', conta o menino, que nunca havia feito aula de música, mas em dois meses já dá show com o instrumento.
Todos os intrumentos de percussão e sopro da escola foram adquiridos através de ações dos próprios alunos, pais e professores do Hugo Simas, que conta com corneta, cornetão, trompete, caixa, surdo, prato, bumbo e fuzileiro.
Festas
Após cinco anos sem se apresentar, a banda marcial do Colégio Marcelino Champagnat também retomou os ensaios em março deste ano e o objetivo do grupo de 45 alunos, com idade a partir de 7 anos, é surpreender nas festas natalinas e ampliar o número de integrantes para 150, com a participação, inclusive, da comunidade.
Para isso, o diretor geral do colégio, Claudecir Almeida da Silva, informa que busca empresas que patrocinem o trabalho. A banda marcial surgiu em 1967 e deu uma pausa nos ensaios em 2006. Hoje, o grupo conta com a participação de alunos de diversas escolas das redes pública e privada, que trabalham com 48 instrumentos de sopro e percussão.
Um trabalho que possibilitou ao aluno do 2º ano, Pedro Lena, 7 anos, aprender um pouco de música. ''Meus pais não teriam condições de pagar aula de música e eu sempre quis aprender a tocar 'flugelhorn''', sorri o garoto, que iniciu as aulas há aproximadamente três meses. ''Estou adorando os ensaios, já fiz muitos amigos e estou me dedicando para tocar bonito em dezembro.''
Para o aluno do 8º ano do Colégio Londrinense, João Marcos Brandet, 14 anos, que sonha reger uma orquestra no futuro, participar da banda marcial do Champagnat já um primeiro passo na realização do sonho. O jovem músico já canta no coro da UEL, faz aulas de flauta doce e toca violino, além de integrar a banda. ''Quando eu toco é como se eu me sentisse a música saindo dentro de mim. É algo inexplicável e que me deixa muito feliz'' , revela.


