Um levantamento feito junto Núcleo Regional de Ensino (NRE) de Londrina apontou que, das 34 escolas da abrangência, apenas cinco estão cadastradas com atividades musicais no programa ''Mais Educação''. O programa, do governo federal em parceria com os Estados, visa contribuir com a formação de alunos no contraturno, por meio de atividades educativas, esportivas e culturais, em regiões, principalmente, de grande vulnerabilidade para tentar combater questões como evasão escolar e repetência.
Uma delas está no Distrito de Guaravera (Zona Sul), onde há três anos existe um grupo de fanfarra da Escola Estadual de Guaravera. Segundo o diretor da escola, Paulo Bartholomeu, o grupo foi formado antes mesmo do projeto federal. ''Sempre tivemos a preocupação em oferecer atividades para aproximar o aluno da escola. Este tipo de iniciativa mexe com a autoestima resgatando valores de disciplina e estimulando aptidões'', resume.
Apesar de fazer parte do programa, nenhum recurso foi enviado pela União ou Estado até o momento. Todos os equipamentos foram adquiridos pela escola e confeccionados pelo professor que ministra a oficina. ''Também não temos um local específico para ensaiar, tudo é feito na rua, mas com muita dedicação'', conta o professor voluntário Yukihiro Utiamada. Além da banda, a escola possui outros cinco projetos - hip hop, judô, capoeira, rádio-escola e História e Geografia - que fazem parte do Mais Educação.
Prestes a completar 14 anos, João Ribeiro Gonçalves já vislumbra iniciar outros instrumentos após um ano de experiência na fanfarra. ''Não sabia nem como mexer na baqueta. Além da falta de coordenação, ficava com as mãos machucadas. Agora que peguei o jeito, não quero mais parar. Pretendo começar a tocar bateria e violão em breve'', conta ele, que hoje fica responsável pelo repique, uma espécie de pequeno ''tambor''.
Ainda no início, mas não menos empolgado, está o jovem Marcio da Cruz de Lurdes, de 20 anos, que, além de monitor das oficinas, começou a participar da fanfarra. ''Me lembro de quando era pequeno que andava atrás da banda batendo numa lata de cera. Agora estou aqui, aprendendo a tocar de verdade. Esta é uma forma de convivência que está mudando minha vida'', confessa o rapaz, que foi um aluno com histórico de indisciplina. (M.T.)

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