Famílias vencem 'luta' de dois anos
Famílias de produtores de frangos que estavam acampadas em frente ao frigorífico do grupo catarinense Chapecó, em Cascavel, estão desde ontem novamente em suas casas em vários municípios da região, depois de dois anos de luta pela reativação da unidade. Em função de crise financeira enfrentada pela empresa, no final de 96 foi desativada a metade de sua estrutura de abate, afetando diretamente cerca de 450 produtores que forneciam 100 mil frangos diariamente. Em julho de 97, homens, mulheres e crianças ocuparam pela primeira vez a unidade. Chegaram a fazer greve de fome no centro de Cascavel.
O acampamento começou a ser desmontado na tarde de domingo, depois de definitivamente confirmado um acordo entre três empresas para a reativação da unidade, a partir de ontem. A Chapecó se responsabilizará pelo abate, como contratada da Globoaves, de Cascavel, que também fornecerá os pintainhos para engorda, e a comercialização será feita pela Sadia, através de sua unidade de Toledo. De imediato, a Chapecó está contratando 260 dos 276 funcionários que haviam sido demitidos no final do ano passado e reiniciando o abate, por enquanto 35 mil frangos.
José Lino Bergamin, 46 anos, presidente da cooperativa dos produtores (a Cooperoeste) e principal líder da mobilização, disse ontem que as famílias mantiveram a luta durante tanto tempo, sem esmorecer e dando um belo exemplo de persistência, porque, para elas, não havia volta. Dos cerca de 450 produtores iniciais e dos 300 que não haviam acertado com outros compradores da produção, 50 (contando esposas e filhos) formavam o grupo permanente no acampamento. A média de idade entre eles é de 47 anos, gente que dificilmente conseguiria reiniciar outra atividade, até porque tudo o que tinham foi investido nos aviários, observou Bergamin.
Para o líder das famílias, elas estavam na iminência de virar sem-terra, porque não têm renda e devem o financiamento dos aviários. O governo do Estado distribuiu cestas básicas nos últimos sete meses e liberou R$ 241,00 para cada família. Além do acampamento, as famílias ocuparam agências bancárias em Cascavel, a sede do BNDES no Rio de Janeiro e a sede da empresa em Chapecó (SC), distribuíram frangos nas ruas de Cascavel e, em julho do ano passado, fizeram greve de fome por seis dias.Edson MazzettoJosé Lino Bergamin (com cuia de chimarrão), líder das famílias que mantiveram protesto em CascavelPaulo Pegoraro





