Edson MazzettoNa lidaMoradores plantam mandioca, milho, feijão, arroz, melancia, pepino e produtos de fácil cultivo O programa Lote Produtivo, que permite a famílias carentes de Cascavel o cultivo de alimentos em terrenos baldios de terceiros, deverá ser ampliado este ano, superando os mais de 13,3 mil lotes ocupados na safra em final de colheita. Segundo estimativa da Secretaria de Desenvolvimento Rural, é possível que 15 mil imóveis sejam ocupados a partir de julho, quando começa o novo plantio.
A iniciativa tem apresentado bons resultados, a custo praticamente zero para o Poder Público. Na safra que está sendo concluída, o programa beneficia 4,73 mil famílias, que ocuparam 13.339 terrenos. Foram produzidos mais de 4,2 mil toneladas de alimentos. As famílias plantam mandioca, milho, feijão, arroz, melancia, pepino e outros produtos de fácil cultivo.
A prefeitura fornece assistência técnica, ramas e sementes - a maior parte doada por empresas. O programa resulta de projeto aprovado na Câmara, de autoria do vereador Aderbal de Mello (PT). No primeiro ano, em 1993, 2,4 mil famílias ocuparam 6,6 mil terrenos. No ano seguinte, já eram 3,8 mil famílias e 10,4 mil lotes ocupados. Em 1995, cerca de 3,9 mil famílias ocuparam 10,9 mil terrenos.
Renda complementar Além de garantir abastecimento próprio, as famílias comercializam o excedente, garantindo renda complementar. Para plantar, geralmente pedem autorização aos donos dos lotes, mas isso também é feito à revelia, não havendo muitos casos de contestação do proprietário. O secretário de Desenvolvimento Rural, Agassiz Linhares Neto, ressalta que a cidade tem outros ganhos com o programa.
‘‘Os terrenos baldios são mantidos limpos, o que ajuda no urbanismo, saúde pública e segurança, eliminando esconderijos de marginais e produtos de roubo’’. Cascavel tem pelo menos 30 mil terrenos baldios, grande parte para especulação imobiliária. A prefeitura é obrigada a fazer roçadas constantes, debitando o custo aos proprietários. Com o programa, o serviço de roçagem é desnecessário nos lotes onde são feitos cultivo.
Agassiz Neto diz que já estão garantidas mais de 6 mil sacas de semente de milho para o novo plantio, através de doações de fornecedores de sementes. Também está sendo iniciado o cadastramento de famílias interessadas em plantar, para que seja possível a entrega dos insumos, assistência técnica e fiscalização.

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