Famílias vão para o jardim Olímpico 2
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de julho de 1997
Da Redação 
As 112 famílias que invadiram o fundo de vale do conjunto José Giordano (zona norte) serão transferidas para o jardim Olímpico 2 (zona oeste). A decisão foi tomada numa reunião na semana passada entre representantes dos invasores, da Federação das Favelas e Assentamentos de Londrina e da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld). Ontem técnicos da Cohab iniciaram o levantamento topográfico da área que fica nos fundos do jardim Olímpico 2. A data da transferência ainda não está definida.
As famílias do fundo de vale do José Giordano serão as primeiras realocadas nesta administração. Outros 16 grupos de invasores serão transferidos pela Cohab, segundo Mandelli. O processo de retirada das famílias dos fundos de vale começou pelo conjunto José Giordano, porque a área já tinha reintegração de posse expedida pela Justiça. As famílias estão lá desde 8 de maio. A reintegração saiu em 23 de junho.
No novo endereço, as famílias invasoras terão um mínimo de conforto: água e luz ligadas em cada lote. Cada família receberá um lote 120 metros quadrados.
Ele calcula que o trabalho deve estar concluído dentro de duas semanas. Depois disso, ele afirma que solicitará ligação de água e energia elétrica à Sanepar e Copel, respectivamente. Aí ficaremos na dependência do trabalho deles para fazer a transferência das famílias.
Tudo terá um custo para as famílias. Cada uma pagará a ligação de água e luz e o consumo mensal. O direito de adquirir o lote, explica Mandelli, só será obtido pelas famílias depois do pagamento de 50% do valor mais uma prestação. O preço e a forma de pagamento do lote e das ligações de água e luz ainda não estão definidos. Mandelli garante que os valores das prestações serão compatíveis com as condições das famílias. A família que sair ou vender perde o direito. Quem entrar no lote também não terá direito em se tornar proprietário do terreno que voltará para a Cohab, alerta.
A idéia de ir para um lugar que será deles próprios agradou os ocupantes do fundo de vale do conjunto José Giordano, que estão ansiosos para mudar. O que tem preocupado alguns dos invasores é a falta de informações sobre o jardim Olímpico 2. Muitos não conhecem o lugar e alguns nem sabem ao certo onde fica.
É o caso do aposentado Joaquim Almeida Tavares. Nunca fui lá. Ouvi falar que vai ser bom. Mas quem conhece diz que tem muito malandro e que precisa tomar cuidado, comenta. Se não saísse daqui seria melhor porque já está tudo pronto. Mas como não tem saída, tudo bem. A preocupação da mulher de Tavares, Maria Aparecida, é com a escola dos filhos. O casal tem três filhos na escola e teme que eles percam o ano. Eles estudam no Heimtal (zona norte), mas tiveram que sair. Agora lá vai ficar longe demais. Não sei como vai ser.
O ajudante de caminhão Sebastião Silva de Oliveira não vê a hora de mudar. Só de saber que vamos estar num lugar fixo, com água e luz, já está bom, diz. Estando num lugar que vai ser da gente dá para ir arrumando melhor. Oliveira, a mulher e as quatro filhos sobrevivem com um salário e meio por mês. Apesar do valor do pagamento ainda não estar definido pela Cohab, os moradores ouviram rumores que pagarão cerca de 20% do salário mínimo. Isso é uma beleza, porque dá para pagar, diz Tavares. Na opinião de Oliveira o que importa é que o imóvel no jardim Olímpico será dos próprios moradores. A gente não vai ficar numa favela, mas num loteamento.
(Edmara Michetti)


